Bo Xilai nega ter aceitado subornos milionários

Antigo dirigente chinês começou a ser julgado nesta quinta-feira.

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Bo Xilai no início do julgamento em Jinan Jinan Intermediate People's Court/Handout via Reuters
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Gu Kailai, esposa de Bo Xilai, foi julgada e condenada em 2012 CCTV via Reuters TV
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Julgamento está a ser relatado online no blogue do tribunal Carlos Barria/Reuters
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Manifestação de apoio a Bo Xilai, no exterior do tribunal Jason Lee/Reuters
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Fortes medidas de segurança rodeiam o julgamento mais mediático em décadas na China Mark RALSTON/AFP

O julgamento mais mediático na China e politicamente relevante nas últimas décadas começou nesta quinta-feira. No banco dos réus, um antigo dirigente chinês, Bo Xilai, caído em desgraça por suspeitas de corrupção e abuso de poder., negou as acusações e disse que a confissão que teria feito na fase de inquérito foi produzida "contra a vontade".

Bo Xilai foi formalmente acusado, em Julho último, de ter aceitado "uma soma elevadíssima" em dinheiro e propriedades e de desviar fundos públicos.

Segundo a revista Caijing, uma das publicações mais respeitadas na China, entre outros crimes de que é suspeito Bo vai responder pelo desvio de 25 milhões de yuans (cerca de três milhões de euros) quando na década de 90 dirigia a cidade de Dalian, nordeste da China.

"Espero que este julgamento seja justo, de acordo com as leis do país", disse Bo no tribunal de Jinan, onde começou a ser ouvido. O tribunal está a divulgar os momentos principais das audiências através do seu blogue.

Depois de negar que tenha recebido dinheiro de dois empresários, Xu Ming e Tang Xaolin, Bo classificou este último como "mentiroso", segundo diz a AFP, acrescentando. "Ele disse o que disse simplesmente para reduzir a pena dele. E isso é porque ele morde em todas as direcções, como um cão enraivecido."

O julgamento teve início sob fortes medidas de segurança, com muita polícia dentro e fora do tribunal, onde houve também protestos de apoiantes de Bo Xilai. O julgamento é visto por estes como uma mera encenação, considerando que o facto de o PC Chinês o ter expulsado significa que os principais responsáveis políticos do país já o julgaram e condenaram.

Além das acusações de corrupção, Bo enfrenta uma acusação de abuso de poder por alegadamente ter tentado evitar uma investigação judicial de um caso que envolvia a própria esposa.

Bo foi em tempos uma das principais figuras do aparelho político chinês, mas caiu em desgraça no último ano e meio, acabando por ser expulso do partido na sequência do homicídio do empresário britânico Neil Heywood.

A sua mulher, Gu Kailai, foi acusada e condenada em Agosto de 2012 a pena de morte suspensa pelo homicídio do empresário (a pena capital será comutada para prisão perpétua em 2014, mas Gu deverá poder sair em liberdade condicional ao fim de nove anos de prisão).

Em Novembro de 2012, o Comité Central do Partido Comunista Chinês anunciou a expulsão do antigo governador da província de Chongqing e em tempos figura promissora do aparelho político do país. A expulsão de Bo Xilai do PCC e do Politburo (o segundo mais importante centro de decisões da política chinesa, a seguir à Comissão Permanente) foi vista como um escândalo quase sem precedentes na história política da China e como a maior crise que o partido no Governo enfrentou desde o massacre na Praça Tiananmen, em 1989.

Antes da expulsão do PCC, Bo Xilai já tinha sido afastado da liderança do secretariado do partido na província de Chongqing, no dia 14 de Março.