Indicador aponta para queda menos acentuada do consumo em Julho

Da indústria transformadora ao comércio, da construção aos serviços, os indicadores de confiança continuam em terreno negativo.

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Tanto o consumo corrente como o de bens duradouros caiu menos em Junho Adriano Miranda

Depois de um abrandamento na queda do consumo e do investimento entre Abril e Junho, os indicadores qualitativos que medem o clima económico e a evolução do consumo privado mantêm-se em terreno negativo, mas apontam para uma nova quebra no ritmo de contracção da actividade.

De acordo com dados publicados nesta terça-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), o indicador qualitativo do consumo privado – que procura medir o comportamento desta componente do PIB através de dados já conhecidos – caiu em Julho para -1,6%, recuperando de forma ligeira face aos meses anteriores.

Os indicadores de confiança dos consumidores, da situação financeira dos agregados familiares e da procura de bens de consumo continuam próximos de valores mínimos, mas todos eles oscilam com valores menos negativos face a Junho, o último mês sobre o qual há dados completos sobre a actividade económica.

Para calcular o indicador de consumo privado, o INE tem em conta indicadores que vão desde o volume de negócios do comércio a retalho, às vendas de gasolina, passando pelo crédito ao consumo, operações realizadas na rede Multibanco e as vendas de carros. Destes, são só conhecidos alguns indicadores relativos a Julho: enquanto o indicador das vendas de gasolina se mantém em baixa (tendo recuado face a Junho), as operações na rede Multibanco e as vendas de automóveis continuam em terreno positivo.

Os dados quantitativos mais recentes referem-se ainda a Junho, altura em que o consumo privado – a beneficiar de uma queda menos intensa tanto no consumo corrente como no de bens duradouros – não registou uma queda tão forte.

Quanto à actividade económica, ainda não são conhecidos dados em relação a Julho, apenas sobre o clima económico em alguns sectores de actividade. O indicador qualitativo, que em Junho se situava em -2,9%, teve uma queda menos intensa no mês seguinte, passando para -2,6%, ficando assim em níveis de 2011.

Da indústria transformadora ao comércio, da construção aos serviços, os indicadores de confiança permanecem em baixa, apresentando, porém, em Julho descidas menos acentuadas.

Os dados sobre o clima económico de Julho são publicados menos de uma semana depois de o INE estimar um crescimento em cadeia de 1,1% da economia portuguesa no segundo trimestre. Se o Produto Interno Bruto cresceu entre Abril e Junho face aos três primeiros meses do ano, interrompendo a recessão técnica ao fim de dois anos, o mesmo não aconteceu em relação ao período homólogo, apresentando uma queda de 2% face ao segundo trimestre de 2012.