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Polícia egípcia cerca mesquita onde se refugiaram apoiantes da Irmandade Muçulmana

Mais de mil detidos e dezenas de mortos na “Sexta-feira de raiva”. Irmandade Muçulmana convocou novos protestos para este sábado.

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Centenas de pessoas concentram-se à entrada da mesquita de Al-Fatah REUTERS/Louafi Larbi
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Mais de mil pessoas foram detidas sexta-feira no Egipto, um dia marcado por novos confrontos entre apoiantes da Irmandade Muçulmana e as forças de segurança egípcias, dos quais terão resultado mais de 90 mortos. Este sábado, a tensão está centrada na mesquita de Al-Fatah, no centro do Cairo, onde centenas de manifestantes estavam cercados pela polícia.

O balanço sobre as detenções foi avançado pelo Ministério do Interior, que acusa a Irmandade Muçulmana de actos de terrorismo durante os protestos de sexta-feira. O movimento islamista respondeu anunciando novas manifestações para este sábado.

A situação no Cairo é descrita como muito tensa. Há blindados do Exército e da polícia a bloquear os principais acessos ao centro, zonas da capital desertas e muita contra-informação a circular na imprensa e nas redes sociais.

Mas a situação mais tensa vive-se na zona da mesquita Al-Fatah, onde procuraram abrigo muitos dos manifestantes que ontem fugiram aos confrontos na praça Ramsés, epicentro da violência na Sexta-feira de Raiva.

Durante a noite, ouviram-se disparos e muitas pessoas recusaram abandonar o local temendo ser abatidas ou detidas. O porta-voz do Exército egípcio, que depôs e deteve o Presidente Mohamed Morsi a 3 de Julho último, utilizou o Facebook para denunciar que havia homens armados a disparar sobre as forças de segurança do interior da mesquita e a partir de edifícios próximos.

Durante a manhã, a polícia entrou no local para tentar negociar a saída dos manifestantes. Terá sido sugerido que as mulheres poderiam sair em segurança se alguns dos manifestantes aceitassem falar com as autoridades. A proposta terá sido recusada, segundo testemunhos recolhidos pela AFP. Também a Al-Jazira falou por telefone com uma das mulheres que se encontram cercadas na mesquita. À estação de televisão árabe, Omaima Halawa disse que era uma das perto de 700 pessoas, incluindo crianças, que se recusavam a sair enquanto não estivessem reunidas garantias de segurança. 

Pouco depois, começaram a surgir informações de que a polícia estaria a retirar as pessoas do local, algumas das quais teriam sido detidas e outras agredidas por apoiantes do Exército que se concentraram no exterior da mesquita. 

Segundo um balanço avançado pela Al-Jazira, pelo menos 95 pessoas morreram nos confrontos de sexta-feira, num novo banho de sangue que agrava o fosso crescente entre os islamistas e os que apoiam o golpe militar que, a 3 de Julho, derrubou o Presidente Mohamed Morsi. Na última quarta-feira, a violência desencadeada pela ofensiva das forças de segurança contra acampamentos dos apoiantes do Presidente deposto ultrapassou os 600 mortos, um número elevado pela Irmandade Muçulmana para mais de dois mil.