Grupo brasileiro reabre cinemas encerrados pela Socorama em dez cidades

Acordo entre o Grupo Orient e a Sonae Sierra devolve exibição diária de cinema a sete cidades e aos distritos de Viana do Castelo, Castelo Branco e ao arquipélago dos Açores em 60 salas em centros comerciais.

A Socorama encerrou 66 salas em Janeiro, 49 das quais no final do mês
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Os cinemas de São João da Madeira, encerrados no final de Janeiro, vão reabrir sob a chancela Cineplace Rui Farinha

Até ao final de 2013, 60 salas de cinema reabrem em Portugal pelas mãos da brasileira Orient Cinemas, devolvendo assim a sete cidades e aos distritos de Viana do Castelo e Castelo Branco e ao arquipélago dos Açores a exibição cinematográfica comercial diária, precisou ao PÚBLICO o presidente da Orient Cinemas, Aquiles Mônaco. São salas em dez centros comerciais Sonae Sierra, ocupadas até ao final de Janeiro pela exibidora Socorama, que encerrou 60 ecrãs em Viana, Covilhã, Ponta Delgada, Loures, Leiria, Seixal, Portimão, Funchal, São João da Madeira e Guia e posteriormente pediu a insolvência.

A Sonae Sierra anunciou esta terça-feira em comunicado ter como objectivo “ter todas as salas a operar até ao final de 2013”. Os cinemas reabrirão de forma faseada, após cerca de seis meses de negociações com a Orient. Aquiles Mônaco, que já em Janeiro tinha admitido ao PÚBLICO ser "um ideal operar em Portugal", precisou que alguns destes multiplexes em centros comerciais da Sonae Sierra (do grupo Sonae, detentor do PÚBLICO) devem abrir ainda no corrente mês de Agosto.

Na prática, os centros comerciais AlgarveShopping (Guia), Centro Comercial Continente de Portimão, Estação Viana Shopping, LeiriaShopping, LoureShopping, MadeiraShopping, Parque Atlântico (Açores), Serra Shopping (Covilhã), RioSul Shopping (Seixal) e 8ª Avenida (São João da Madeira) voltarão então a ter as suas salas de cinema. Até Janeiro, estes dez centros comerciais tinham, no seu total, 60 ecrãs a funcionar. A saída da Socorama destas salas, motivada quer pelo fim do contrato de exploração (como é o caso de Portimão ou de outros ecrãs, encerrados em Abril no centro Jumbo em Setúbal) ou, na sua maioria, pela existência de dívidas da exibidora à Sonae Sierra (49 ecrãs), fez com que no último semestre algumas destas localidades tivessem apenas acesso à exibição cinematográfica por via de cineclubes ou salas geridas pelas autarquias

O nordestino Grupo Orient realça a recepção positiva das autarquias em relação à sua chegada e estreia-se no mercado português com a marca Cineplace. Posiciona-se desde já no sector como o segundo maior exibidor cinematográfico no país, estimando Mônaco que conte com uma fatia de 15% do mesmo. O momento escolhido pelo grupo para entrar no mercado português, com quebras no número de espectadores, nas receitas de bilheteira e com algumas concorrentes em dificuldades perante a crise, não condiciona Aquiles Mônaco. "É um grande desafio", admite em conversa telefónica com o PÚBLICO, pensado a cinco anos, "mas um país como Portugal não vai ficar a vida inteira em recessão". 

Quer desenvolver "um trabalho eficiente para resgatar esse público com uma programação e um atendimento atractivos", frisando: "O cinema é uma diversão barata". "Não temos medo da crise, passámos por crises bem graves no Brasil", adianta, falando da sua experiência no Grupo Orient. É uma das maiores 20 empresas do sector no Brasil e detém mais de 20 salas na região do Nordeste e oito salas no Belas Shopping, o primeiro centro comercial angolano, em Luanda, onde começou a operar há seis anos. Em 2012, o Grupo Orient (UCI Orient, Orient Cinemas e Cineplace) teve uma facturação global de 30 milhões de euros, segundo indica a Sonae Sierra em comunicado.

A Socorama, que começou 2013 como o segundo maior exibidor português com 106 salas e que encerrou 70 delas entre Janeiro e Abril, pediu insolvência a 12 de Fevereiro por dívidas de 12 milhões. Algumas das suas salas remanescentes estiveram temporariamente encerradas - dessas, não reabriu ainda o histórico cinema Londres, em Lisboa. As dificuldades que atravessa a empresa, que continua a operar cerca de 30 ecrãs em Portugal, levaram também ao despedimento de 98 pessoas.