Descobertas em Jerusalém ruínas de grande hospital da época das cruzadas

Arqueólogos israelitas identificaram o edifício na Cidade Velha e acreditam que tem mil anos. Estimam que tenha chegado a acolher dois mil doentes, independentemente da sua religião. Agora, depois de anos de trabalhos de restauro e investigação, as ruínas vão ser incluídas num novo restaurante, a inaugurar no final de 2013.

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A Cidade Velha de Jerusalém é como um museu, carregada de património Gali Tibbon/AFP

O que resta do velho hospital, que cobriria pelo menos uma área equivalente a um campo de futebol e meio, foi identificado no centro do bairro cristão da Cidade Velha de Jerusalém, segundo o diário espanhol ABC, numa estrutura que antes era usada como mercado de frutas e legumes.

Os grandes arcos e colunas, o pé direito de seis metros de altura e a divisão do espaço em grandes e pequenas salas dá pistas preciosas em relação à sua dimensão e ao seu uso. Pistas que se tornam mais relevantes quando cruzadas com fontes escritas da época, na sua maioria em latim.

Dizem os documentos recolhidos pela equipa de arqueólogos da Autoridade de Antiguidades de Israel, liderada por Renee Forestany e Amit Reem, que na área existia um sofisticado hospital, mandado construir por uma ordem militar cristã (Ordem de São João do Hospital em Jerusalém) e com capacidade para duas mil pessoas, que atendia todo o tipo de pacientes, independentemente de idade, género ou religião. Tal como as unidades hospitalares de hoje, estaria dividido em alas e em especialidades.

As fontes mostram ainda que funcionava também como orfanato, recebendo crianças que perdiam os pais ou que eram simplesmente por eles deixadas ao cuidado dos monges. Muitas dessas crianças viriam a trabalhar para a ordem mais tarde, e alguns dos rapazes chegaram mesmo a combater ao lado dos cruzados.

Os monges-cavaleiros desta ordem poderiam ainda ocupar-se dos peregrinos da Terra Santa e que, caso fosse necessário, juntar-se à batalha e funcionar como uma unidade de combate de elite.

Saladino (1138-1193), sultão e chefe militar que liderou o combate contra os cruzados e reconquistou Jerusalém em 1187, reconheceu-lhe a importância e, quando mandava na cidade, renovou as suas instalações e permitiu aos monges manterem as portas abertas.

O hospital, que terá servido também como estábulo, foi destruído num terramoto em meados do século XV. As suas ruínas, de que só uma ínfima parte é já visível, serão integradas no restaurante que ali vai nascer, segundo Monser Shwieki, director do projecto. O novo espaço, que inclui um pequeno centro interpretativo da Jerusalém medieval, inaugura no fim deste ano.