Passos acredita que Constituição não irá impedir reformas como a redução dos funcionários públicos

“Não acredito que a nossa Constituição nos impeça de fazer o que qualquer sociedade desenvolvida faz”, diz o primeiro-ministro.

O presidente do PSD, Pedro Passos Coelho, afirmou este domingo que Portugal está a fazer agora, “de forma muito concentrada”, reformas que deveriam ter sido feitas durante anos.

“Agora tudo tem de se fazer neste período de três anos, tudo. A reforma do Estado, a reforma das Parcerias Público-Privadas, dos contratos swaps - tudo o que constitui risco elevado para o país, tudo o que nos impediu de crescer durante anos, tudo o que aumentou o peso do Estado e obrigou os portugueses a pagar mais impostos”, referiu durante a Festa de Verão do PSD, em Vila Pouca de Aguiar. Tudo, acrescentou Pedro Passos Coelho, “o que se foi fazendo ao longo de anos sem pensar no que haveria de ser a situação de futuro. Tudo agora tem de ser resolvido nestes três anos”. “E toda a indulgência que houve durante estes anos todos para estas situações inexplicáveis agora desapareceu. Agora temos de enfrentar a maior exigência e crítica com tudo o que se decide e se faz”, afirmou.

O presidente do PSD frisou, depois, que estas afirmações não foram feitas “como quem se queixa”. “Verdadeiramente, o que eu acho inaceitável é a indulgência perante a irresponsabilidade e o que eu acho indesculpável é uma sociedade política que não tem inteligência e exigência para cobrar a quem governa os resultados que são importantes para o país”, sublinhou.

Disse, ainda, que gosta de “responder perante a indulgência e de explicar tudo o que se faz”.Passos Coelho afirmou que o trabalho que está a fazer tem valido a pena e salientou que já há sinais que devem ser vistos “como primeiros sinais de recuperação e que representam o esforço que os portugueses têm feito”.

“Nos últimos meses, a nossa economia já começou a dar alguns sinais positivos de recuperação e, também na Europa, esses sinais começaram a aparecer. Isso é importante porque uma parte crescente da nossa economia está voltada para fora”, salientou. Há dois anos, segundo o presidente do PSD, Portugal exportava 30% do que produzia, agora exporta quase 40% e antes de o mandato acabar, em 2015, estar-se-á próximo dos 50%, prometeu.

Funcionários públicos têm que estar preprados "fazer alguma coisa para outro lado”

O líder social-democrata defendeu depois que é preciso estabelecer uma hierarquia do que é importante no país, para evitar um novo pedido de assistência externa, acreditando que a Constituição não vai impedir as reformas necessárias. O pior que pode acontecer ao país é ficar sem dinheiro para pagar salários, considerou Passos, e lembrou que foi justamente por isso que Portugal teve de pedir assistência externa.

“Para que isso não volte a acontecer, temos de fazer uma hierarquia do que é realmente importante e o que não for tem de deixar de ser feito. As pessoas que faziam aquilo que era menos importante têm que ser afectas a fazer outras coisas que são mais importantes e, se não for preciso tanta gente para fazer isso, essas pessoas têm de ir fazer alguma coisa para outro lado”, salientou.

Não pode, acrescentou, “o Estado ficar-lhes a pagar eternamente para fazer o que não é preciso - isto é assim em qualquer país desenvolvido do mundo”.

“Não acredito que a nossa Constituição nos impeça de fazer o que qualquer sociedade desenvolvida faz”, sublinhou.

Depois, segundo Passos Coelho, é ainda “verdadeiramente importante” definir o que o Estado pode fazer directamente e o que pode fazer em parceria com a sociedade civil. Nesse sentido, deu a Segurança Social como um “exemplo extraordinário” de como se pode pensar a reforma do Estado gastando menos, sem pôr em causa os serviços que são prestados às pessoas.

“Temos conseguido na área social uma verdadeira parceria com as instituições de solidariedade social”, frisou.