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Jorge Moreira da Silva: chegar ao Governo após duas falsas partidas

Há dois anos, quando Passos Coelho o convidou para ministro da pasta do Ambiente e Energia, todos deram por certa a sua nomeação. Mas foi desconvidado pouco depois.

O vice-presidente do PSD tentou colocar o PS entre a espada e a parede
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PSD e CDS criticam o protagonismo de Mariana Mortágua Nuno Ferreira Santos

Na época, as negociações com o outro partido da coligação governamental ditaram a criação do superministério da Agricultura e Ambiente e a sua entrega aos centristas. A energia ficou, entretanto, dentro do superministério da Economia e do Emprego e nas mãos do independente Álvaro Santos Pereira.

O nome do vice-presidente do PSD, político feito nas fileiras da "jota" do partido, tal como o foi Passos Coelho, e com uma projecção pública que lhe veio do trabalho feito na área ambiental, voltou a ser dado como “escolha natural” na remodelação que parecia certa até há pouco mais de uma semana. A então chamada de Cavaco aos partidos para estes negociarem um acordo colocou não só a remodelação em parte incerta como o segundo convite a Moreira da Silva. Com o recuo do Presidente da República, no passado domingo à noite, e a decisão de manter o actual Governo em funções, a remodelação governamental pode avançar e o nome de Moreira da Silva é ministro indigitado.

A ida de Moreira da Silva para o executivo suscita uma ideia comum entre elementos próximos do Governo e de Belém: “corrige erros de início”, num momento que deve ser também de várias “correcções”. A separação de tutela entre Ambiente e Energia é considerada o principal desses “erros de início”, enquanto o momento é entendido como de “correcção” em relação à dimensão dos dois ex-superministérios.

Ao chegar a ministro, o homem das energias renováveis e da taxa de carbono tem, no entanto, pela frente um contexto adverso às suas ideias mais conhecidas: a pressão da troika contra as rendas ao sector da energia e uma máquina fiscal indisponível para uma reforma da chamada "fiscalidade verde".

Os últimos dois anos, que parecem não ter afectado a proximidade de Passos Coelho, deram sobretudo experiência política ao número dois do PSD, com resultados diferentes. O trabalho com as bases do partido para as autárquicas saldou-se pelo maior número de sempre de alianças com o CDS. Na coordenação política do partido, é feito um balanço misto entre facções e gerações de poder do próprio partido, onde a linha relvista – a que se opõe – ainda pesa no poder local. Foi também a cara do PSD nas (falhadas) negociações interpartidárias decretadas por Cavaco – um episódio de intensa aprendizagem da política partidária.

Moreira da Silva, que abandonou o lugar de director da Economia das Alterações Climáticas do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) com o horizonte de ministro, tem tido um percurso que parece desafiar, de vez em quando, a lógica partidária. Um exemplo foi o lançamento da Plataforma para o Crescimento Sustentável, por iniciativa pessoal, um fórum de discussão para a sociedade civil, envolvendo quatro centenas de pessoas da órbita do PSD e CDS.

 
 
 
 

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