Daniel Rocha
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Daniel Rocha

Siza Vieira: internacionalização é a única saída profissional

Siza Vieira: “A internacionalização é um caminho... nem vejo outro de momento, a não ser que haja agora uma viragem, o que é difícil”

O arquitecto Álvaro Siza Vieira apontou esta sexta-feira a internacionalização como a solução para o exercício da profissão perante o actual “panorama negro” no país. “Não havendo investimento, não havendo obras, neste caso, [o exercício da profissão] está muito dificultado e por isso temos assistido à saída de bastantes arquitectos”, disse, em declarações à Lusa, Siza Vieira.

O arquitecto afirmou mesmo que a saída de profissionais do país “é uma coisa que está em progressão, porque os caminhos estão fechados” em Portugal. Para o prémio Pritzker 1992, perante a “situação muito difícil” de trabalho em Portugal, “há essa esperança” de uma possibilidade de trabalho noutros países, “que tem o seu aspecto positivo pelo intercâmbio, mas tem o aspecto negativo pela perda de gente que custou a educar, que tem competência”.

“A internacionalização é um caminho... nem vejo outro de momento, a não ser que haja agora uma viragem, o que é difícil”, sustentou. Siza Vieira alertou para o facto de existirem actualmente obras públicas paradas por força das “medidas de economia” impostas. “Estas medidas de economia estão a custar muitíssimo dinheiro ao país e também estão a custar construções abandonadas”, disse.

Custo mais baixo

Segundo Siza, as autarquias têm indicações para entregar uma empreitada “ao arquitecto que apresente um custo mais baixo e ao construtor com o custo mais baixo” e “daí têm resultado” obras entregues a empreiteiros que apresentam propostas com um custo menor “entre 30 a 40% do real, que a meio param”.

Siza Vieira referiu que este problema resulta das alterações realizadas no âmbito de uma indicação da Europa, que acabaram com uma tabela de honorários para estes profissionais. “Os arquitectos tinham uma percentagem sobre o custo das obras”, mas “em nome dos benefícios da livre concorrência isso acabou”, disse, acrescentando que “essa livre concorrência na situação actual é pesada para obra pública”, levando a que as autarquias entreguem empreitadas a quem apresente o custo mais baixo.

“Devíamos por os olhos nos países do Norte, esses sim os bem comportados. Na Alemanha, a reação a esta medida da comunidade europeia foi a de não a respeitar” e assim “mantém as suas tabelas de honorários mínimos, sem [existir] concorrência selvagem”. Siza Vieira referiu ter “uma obra em Espanha parada pela mesma razão”, porque “o empreiteiro deu um preço impossível” e a meio abandonou-a.