Unesco faz ultimato a Itália para recuperação de Pompeia

Governo italiano tem até 31 de Dezembro para apresentar um plano "sério" de recuperação do complexo arqueológico. Caso não o faça, Pompeia entra para a lista de Património em Risco.

Pompeia constitui o exemplo mais bem conservado de uma villa da época romana
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Pompeia constitui o exemplo mais bem conservado de uma villa da época romana AFP
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O problema não é novo e por isso mesmo a Unesco está preocupada e exige medidas urgentes. Pompeia está a ruir e a Itália não está a conseguir reverter o problema. É preciso um plano de recuperação ou então a mais popular cidade romana será retirada da lista de Património Mundial da Unesco.

Um dia é um muro que desaba, noutro dia são umas colunas que caem ou um fresco que desaparece. É este o estado de um dos principais complexos arqueológicos do mundo e uma das maiores atracções turísticas de Itália, classificada em 1997 como Património Mundial da Unesco. O que restou de Pompeia, na região italiana de Nápoles, sobreviveu à fúria vulcânica do Vesúvio em Agosto de 79 d.C., mas sobreviver ao homem contemporâneo está a tornar-se uma tarefa complicada.

É por isso que neste fim-de-semana a Unesco lançou mais um alerta, desta vez em tom de ultimato. Se até ao dia 31 de Dezembro o governo italiano não apresentar um plano de recuperação, Pompeia poderá ser retirada da lista de Património Mundial para ser incluída na lista do Património Mundial em risco. É que, segundo os responsáveis da Unesco, a situação decadente deste complexo arqueológico é preocupante e exige uma intervenção imediata ou a Itália, e o mundo, arrisca-se a perder uma parte importante da sua história.

Este alerta da Unesco surge já depois de em Fevereiro deste ano ter sido anunciado um ambicioso plano de restauro de 105 milhões de euros, 41,8 dos quais dos cofres da União Europeia. Os planos de trabalho até já começaram mas a Unesco precisa de mais garantias e quer que nos próximos seis meses a Itália apresente resultados.

No sábado, Giovanni Puglisi, presidente da comissão italiana da UNESCO, fez saber que a comunidade internacional está preocupada com a situação de Pompeia, criticando a má gestão dos últimos anos e defendendo a necessidade de se rever o plano de restauro de 105 milhões. Puglisi denuncioun“a existência de edifícios que violam o plano original do local”, assim como “a falta de pessoal”. O responsável pediu ainda que seja estabelecida “uma nova zona de vigilância” em torno desta área classificada, para a proteger das construções ilegais.

Em resposta, o ministro da Cultura, Massimo Bray, tem garantido a vários jornais italianos que a Itália não vai abandonar o seu património, destacando, no entanto, a grande dificuldade, acentuada pela crise, que o governo tem sentido. “Ao longo dos últimos cinco anos o orçamento do Ministério da Cultura foi reduzido em dois terços”, disse em entrevista ao jornal Il Messaggero o ministro da Cultura, acrescentando no entanto que tudo será feito para que em Fevereiro de 2014, data da reunião de balanço com a Unesco, se note um progresso nesse sentido.

“Pompeia é um símbolo para o nosso país. A reprimenda da Unesco é um alarme que eu levo muito a sério e já estamos a trabalhar nos problemas urgentes do sítio”, continuou Massimo Bray, explicando que o plano de restauro apresentado no início deste ano tem como ponto de partida reduzir o risco de exposição a elementos como a chuva, reforçando as estruturas dos edifícios e restaurando os frescos.

Está também já previsto o aumento da videovigilância, uma vez que até agora dos 44 hectares de Pompeia era muito pouco o espaço controlado. Não é de estranhar por isso que, se um turista quisesse arrancar uma pedra de uma parede para levar para casa como recordação, o conseguisse fazer.

É por isso que o responsável italiano da Unesco defende que esta tem de ser uma preocupação de todo o governo italiano. “O problema é grave e não pode ser um exclusivo do Ministério da Cultura”, disse Giovanni Puglisi, lamentando a inexistência de incentivos para privados. “Em vez de apoiarmos parece que desconfiamos. Porque é que alguém com dinheiro vai querer investir na Cultura? Basta! Precisamos de mudar estas regras.”

No fim dos trabalhos, previsto para 31 de Dezembro de 2015, espera-se um visível aumento da frequência turística que, segundo as previsões, deverá ultrapassar os actuais 2,3 milhões de visitantes anuais e chegar aos 2,6 milhões em 2017.