Presidente egípcio rejeita ultimato do Exército

Morsi diz que posição dos militares pode “causar confusão”. Pedido de demissão do ministro dos Negócios Estrangeiros, o quinto membro do Governo a anunciar saída.

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Imagem de reunião de Morsi com membros do Governo, divulgada pela Presidência após ultimato dos militares AFP

O Presidente do Egipto, Mohamed Morsi, rejeitou, na madrugada desta terça-feira, um ultimato do Exército, que na segunda-feira lhe deu 48 horas para responder às reivindicações dos manifestantes que o contestam. Os militares tinham anunciado que se “a vontade do povo” não fosse satisfeita iriam propor o seu próprio “plano para o futuro”.

Numa nota emitida nove horas depois da posição assumida pelos militares, Morsi, contestado por manifestações que, segundo jornalistas no Cairo, adquiriram uma dimensão sem precedentes desde a queda de Hosni Mubarak, em 2011, disse que a posição dos militares pode “causar confusão no complexo contexto nacional”.

O Presidente islamista diz que “não foi consultado” pelos militares que fizeram o ultimato e que continuará com os seus próprios planos de reconciliação nacional.

A agência noticiosa estatal Mena anunciou já na manhã desta terça-feira que o ministro dos Negócios Estrangeiros, Mohamed Kamel Amr, apresentou o pedido de demissão. Se a resignação for aceite, junta-se a quatro outros ministros que apresentaram a sua demissão na actual crise.

Os manifestantes acusam o Presidente de colocar os interesses da Irmandade Muçulmana à frente dos interesses do país, pedem a sua demissão e a realização de novas eleições. Pelo menos 16 pessoas morreram desde domingo nos protestos.

Na segunda-feira, o general Abdel Fattah al-Sisi, chefe das Forças Armadas e ministro da Defesa, disse que as manifestações da véspera foram uma expressão “de clareza sem precedentes” da vontade popular. Na declaração que leu na televisão pública disse que, se forem obrigados, os generais assumirão a sua “responsabilidade” e vigiarão a concretização do seu roteiro “com a participação de todas as facções e partidos nacionais, incluindo os jovens”.

Antes, na manhã de segunda-feira, a recém-formada plataforma Tamarod, que junta a maioria dos grupos laicos e de esquerda e que marcou a manifestação de domingo, fez também um ultimato até esta terça-feira à tarde a Morsi para se demitir. Caso o Presidente continue em funções prometeu lançar uma campanha de desobediência civil.

O movimento pedira às Forças Armadas para “se posicionarem claramente ao lado da vontade popular” que dizem estar representada nos protestos. Os membros do Tamarod (Rebelião) garantem já ter mais de 22 milhões de assinaturas numa petição que pede a demissão de Morsi, eleito em Maio do ano passado com 51% dos votos (mais de 13 milhões de eleitores).

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