Depois de Portas, Santos Pereira defende descida de impostos “assim que possível”

Ministro da Economia recebeu embaixada de empresários. Pediu uma baixa na “fiscalidade das famílias”. Mas, ao contrário de Portas, não disse quando.

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Santos Pereira pede compromissos sobre estabilidade legislativa Miguel Manso

Depois de Paulo Portas defender uma descida do IRS ainda durante a actual legislatura, foi a vez de o ministro da Economia e Emprego, Álvaro Santos Pereira, defender nesta quarta-feira um desagravamento deste imposto assim que haja capacidade para isso. Mas não assumiu prazos. O Governo está a lançar as bases para uma redução do IRC e, “se houver margem”, disse, tem de “baixar a fiscalidade das famílias assim que seja possível”.

No final de uma reunião de quase três horas no Ministério da Economia com os líderes das maiores empresas portuguesas, Santos Pereira colocou a tónica na necessidade de Portugal “cortar na burocracia, cortar nos impostos e cortar nas taxas” pagas pelas empresas.

Ao número 15 da Rua da Horta Seca, em Lisboa, o ministro da Economia chamou uma embaixada de empresários para uma reunião ao mais alto nível onde estiveram, entre outros, António Pires de Lima, líder da cervejeira Unicer e presidente do Conselho Nacional do CDS-PP, António Mexia, presidente executivo da EDP, Henrique Granadeiro, da PT, e Belmiro de Azevedo, chairman da Sonae (proprietária do PÚBLICO).

À saída, Pires de Lima nada disse sobre as preocupações que os empresários levaram ao ministro da Economia, limitando-se a afirmar que esta “foi uma reunião muito útil” e que as suas posições são conhecidas.

Minutos depois, Santos Pereira defendia a necessidade de em Portugal ser criado um ambiente de negócios que dê estabilidade às empresas para “atrair mais investimento” e pedia um pacto de regime que garanta a estabilidade fiscal e a estabilidade legislativa. Isto no mesmo dia em que, segundo a Lusa, o líder da bancada parlamentar do PS, Carlos Zorrinho, veio defender que uma “perspectiva integrada sobre fiscalidade” contará com o “empenhamento do PS”.

No Ministério da Economia, Santos Pereira não assumiu, porém, quando é que o Governo terá condições para baixar aquilo a que chamou “fiscalidade das famílias”, nada mais dizendo sobre as declarações de Paulo Portas na noite de terça-feira. Limitou-se a sublinhar que esta é uma questão a que o primeiro-ministro se tem referido.

Ministro recebe propostas dos empresários
Quanto a medidas para as empresas, voltou a pedir consensos, lançando um apelo indirecto ao PS: “Tem de haver acordos de regime sobre a fiscalidade, tem de haver acordos de regime em relação à questão do financiamento, nomeadamente do estabelecimento de instituições financeiras de desenvolvimento”.

Sobre as preocupações dos empresários, com quem diz ter tido “um diálogo bastante franco”, adiantou que as grandes empresas manifestaram “a expectativa de que seja possível implementar algumas políticas adicionais e medidas nomeadamente ao nível do financiamento, ao nível dos custos da energia, ao nível da dinamização do mercado interno, mas também no aumento da competitividade da economia portuguesa”.

Questionado sobre que respostas deu aos empresários ao nível do financiamento, Santos Pereira nada concretizou. “As empresas manifestaram obviamente a sua preocupação sobre o que chamaram a ‘desvantagem competitiva’ que o nosso país continua a ter ao nível do financiamento”, disse aos jornalistas, reforçando a importância de se reduzirem as restrições de crédito e de as empresas diversificarem as fontes de financiamento.

Esta foi a primeira de várias reuniões que Santos Pereira quer fazer com as grandes empresas que, disse o ministro, enviarão ao Governo “nos próximos dias” algumas propostas que poderão ser acrescentadas à “estratégia de crescimento industrial”.

No encontro estiveram presentes os líderes ou altos responsáveis de 17 empresas nacionais e filiais de multinacionais. Para além da EDP, da PT, da Sonae e da Unicer, estiveram na reunião responsáveis da Petrogal, da Jerónimo Martins, Volkswagen Autoeuropa, da Peugeot Citroën Portugal, do grupo de distribuição Auchan, das construtoras Mota-Engil, Soares da Costa e Teixeira Duarte, da papeleira Portucel, da Nestlé Portugal, da Siemens, da Somincor (a Sociedade Mineira de Neves-Corvo) e da Sumol + Compal.