Crítica

WWZ - Guerra Mundial

Quem estiver com atenção ao genérico de "WWZ - Guerra Mundial", a cargo do mestre Kyle Cooper, reparará nas suas semelhanças com o genérico de um outro, e francamente melhor, filme de zombies - "O Renascer dos Mortos", a excelente remake que Zack Snyder fez em 2004 do "Zombie" de George A. Romero. O genérico desse filme, bem mais gráfico, também era de Cooper, e também sugeria que o apocalipse civilizacional à dentada de morto-vivo resultava de andarmos a brincar com o fogo - e, depois, percebemos que não é só o genérico que é “reciclado” em WWZ. O próprio filme também o é, como o comprovam os problemas que perseguiram a produção e obrigaram a rodar um final completamente novo, ou a presença no genérico de quatro argumentistas com provas dadas (entre os quais o “bombeiro de serviço” do momento, Damon Lindelof) mas nem assim capazes de “resolver” esses problemas. O resultado desta transformação do romance de Max Brooks num veículo para Brad Pitt, no papel de um alto funcionário da ONU a tentar descobrir a origem de uma espécie de “raiva humana” altamente contagiosa que se espalha num ápice pelo mundo, é um filme desalmado e mecânico. Mas não era de esperar outra coisa, face à inexplicável escolha de Marc Forster para realizador. O suiço pode ter dado a ganhar o Óscar a Halle Berry em "Depois do Ódio", mas quase ia afogando o franchise James Bond com "Quantum of Solace", e volta aqui a provar que não tem unhas para tocar as guitarras que insistem em dar-lhe. Antes o filme de Snyder ou o "Contágio" de Soderbergh, muito mais próximos do que WWZ quer ser sem conseguir.

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