Alunos do 4.º ano estão melhor a Matemática do que a Português

Resultados dos exames contrariam os das últimas provas de aferição.

Os alunos que não conseguirem atingir os objectivos terão aulas de recuperação
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Ainda há alunos sem aulas Nelson Garrido

Na estreia dos exames do 4.º ano, os alunos saíram-se melhor a Matemática do que a Português.

Na prova de língua materna a média nacional foi mesmo negativa – 48,7% numa escala percentual de 0 a 100. Já a Matemática, que faz parte das disciplinas com maus resultados crónicos em Portugal, a média nacional subiu para 56,9%, sendo que mais de metade dos alunos (64%) teve classificações positivas (iguais ou superiores a 3 numa escala de 1 a 5).

As pautas dos exames foram afixadas nas escolas nesta quarta-feira. Os alunos que ficarem reprovados (o exame conta 25% para a nota final) poderão repetir as provas em Julho e até lá ter aulas de apoio.

Numa nota enviada à comunicação social, o Ministério da Educação e Ciência (MEC) refere que os dois exames do 4.º ano, de Português e Matemática, foram realizados em 1152 escolas por mais de 100 mil alunos. Para a correcção dos exames foram chamados três mil professores do 1.º ciclo.

Até agora, os alunos do ano final deste ciclo de escolaridade eram obrigados a realizar provas de aferição cujos resultados não contavam para a nota final e que se destinavam essencialmente, segundo o ministério, a proporcionar informação às escolas sobre o desempenho e as fragilidades dos seus estudantes. No ano passado, nestas provas, os resultados dos alunos do 4.º foram inversos aos dos exames de 2013. A média a Português foi de 66,7% e a Matemática de 53,2%.

O ministro da Educação, Nuno Crato, considerou que os resultados  são ainda insatisfatórios e revelam o muito trabalho que há a fazer com os alunos, tendo classificado a média de Português como “ligeiramente negativa” e a de Matemática como “um pouco positiva”. “As provas de Português e Matemática dão-nos a indicação de que haverá um grupo muito pequeno de alunos que necessitarão de uma época especial que está prevista para reforço da aprendizagem”, acrescentou.

A presidente da Associação Professores de Matemática, Lurdes Figueiral, considerou, em declarações ao PÚBLICO, que os resultados do exame confirmam a evolução dos alunos portugueses já patente noutras provas, como foi o caso da última edição dos testes internacionais TIMMS. Apesar de o exame "não ser fácil e de 60% dos itens apelarem para capacidades mais complexas, os resultados dos alunos no exame comprovam que o caminho que estava a ser seguido era o certo e que o deviam consolidar em vez de fazerem tábua rasa dele com as medidas que anunciaram”, com vista à implementação de um novo programa de Matemática para o básico, disse.

No seu parecer sobre o novo programa, a APM considerou que este se traduziria num “retrocesso” no ensino da disciplina. Lurdes Figueiral lembra que o programa implementado em 2007, e que foi agora revogado por Nuno Crato, também incluía um programa de formação de professores do 1.º ciclo em Matemática, também cancelado pelo actual ministro, que contribuiu para a evolução positiva dos alunos nesta disicplina.

Lurdes Figueiral recordou, por outro lado, que a APM se opôs à introdução de exames no 4.º ano por considerar que estes são “inadequados”, “totalmente dispensáveis” e que se arriscam a “perverter” o ensino em sala de aula e “alterar o equilíbrio” entre as várias disciplinas existente no 1.º ciclo.

A presidente da Associação de Professores de Português atribuiu os maus resultados à “falta de concentração dos alunos” que, frisa, foi “motivada por factores externos”. Edviges Ferreira explica que o único grupo com resultados negativos no exame foi o primeiro, que consistia em perguntas de escolha múltipla feitas a partir de um texto.

Este facto confirma, segundo ela, que os alunos foram afectados pelo facto de lhes ter sido pedido que assinassem um compromisso de que não tinham consigo telemóveis, que se juntou outras novidades do dia: estreia dos exames, a sua realização em escolas que não eram as dos alunos e serem vigiados por professores que lhes eram estranhos.

A presidente da APP lembra que no parecer ao exame a associação considerara que este era “objectivo, bem estruturado, não tinha questões dúbias, mas que exigia concentração”.