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Chloe Dewe Matthews: "Gostei de entender a personagem única que é Portugal"

Fotógrafa convidada da 3ª edição do Entre Margens, Chloe Dewe Matthews relembrou ao P3 a passagem pela aldeia de Lazarim, onde se apaixonou pelos Caretos

Chloe Dewe Matthews colecciona prémios e quilómetros atrás das câmaras. Formada em Belas Artes na Universidade de Oxford, esta fotógrafa londrina destaca-se por visitar lugares esquecidos com um novo olhar. Explorou as fronteiras da China, a imensidão do Mar Cáspio, as maldições do Mar de Aral... Recentemente aterrou em Portugal. Uma das fotógrafas convidadas da 3ª Edição do Entre Margens, Chloe eternizou os Caretos de Lazarim. O P3 conversou com ela via Skype sobre Portugal, a fotografia, e a importância da arte.

 

O teu trabalho explora frequentemente lugares inóspitos, aonde os fotógrafos nem sempre vão. O que te cativou no interior de Portugal?

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É difícil dizer. Havia aquela sensação de o rio cortar o terreno, que era deslumbrante. Mas já tinha havido dois festivais de fotografia na região, por isso eu senti que realmente precisava de encontrar algo único, pequeno, que as outras pessoas não tivessem já fotografado. 

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Passaste muito tempo em Portugal?

Cheguei com vontade de caminhar ao longo de todo o percurso do rio Douro, desde Espanha até Portugal. Porque é uma forma de pesquisar um lugar, encontrar uma história. No entanto percebi logo que não ia ser exequível naquele período de tempo. Então achei que era mais interessante passar tempo lá, a falar com as pessoas. E dois dias depois de chegar, ouvi falar neste festival em Lazarim, que acabei por fotografar.

 

 

Qual é a principal mensagem que queres transmitir com a tua obra? 

Eu acho que com cada projecto que faço há uma ligeira mudança naquilo que estou a tentar dizer ou na forma como estou a tentar perceber o mundo. Porque de certa forma, eu estou a tentar falar sobre o mundo. Acho que, com fotografias, o que geralmente tento fazer é pedir às pessoas que repensem a sua forma de pensar sobre o mundo. Por exemplo, quando fotografei os banhos de petróleo no Azerbaijão, isso é sobre desafiar aquilo que eu penso que sei. E eu acho isso muito revigorante e entusiasmante, quando eu penso no mundo e me apercebo que estou errada. A minha mente torna-se fresca e interessada outra vez. Então eu espero que a minha fotografia faça o mesmo com as outras pessoas.

 

Que imagem guardas do Douro?

Eu tenho memórias muito felizes. Fui muito bem tratada, por pessoas fantásticas, muito acolhedoras. Também fiquei intrigada por todas as tradições invulgares, as tradições pagãs do Carnaval.  Gostei muito de entender a personagem única que é Portugal. Isso foi muito satisfatório, e eu espero regressar. E depois, claro, a paisagem extraordinária.

 

O Entre Margens é um projecto que pretende levar a arte a locais normalmente isolados...

Sou de Londres, por isso cresci numa cidade grande, onde há sempre acesso a galerias, museus, tudo. Mas acho que arte definitivamente devia ser acessível a todas as pessoas. E, na verdade, tu não precisas de ver coisas o tempo todo. Só ver uma exposição por ano pode mesmo influenciar a forma como pensas. Em Londres, não vou a tudo, porque simplesmente há demasiadas coisas. Ficas sobrecarregado com informação. Agora estamos a ver tantas imagens a toda a hora, também devido à Internet, que acho que nos tornamos algo ‘blasé’, perante a quantidade e qualidade de imagens.

 

Pensas que a fotografia é um meio artístico de consumo imediato?

Sim, claro. Tem uma conexão imediata com o espectador, o que é fantástico. Eu acho que o poder da imagem é o imediatismo, e isso é extremamente valioso. Mas isso não quer dizer que todas as outras formas de arte não devam ser também acessíveis. Cada uma tem um valor diferente.