Polícia deteve quase mil pessoas nos protestos na Turquia

Erdogan lança desafio aos manifestantes: "Se reunirem 100.000 pessoas, eu trarei um milhão".

Manifestantes e política envolveram-se em violentos confrontos na praça Taksim
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Manifestantes e política envolveram-se em violentos confrontos na praça Taksim MURAD SEZER/REUTERS

Quase mil pessoas foram detidas e 79 ficaram feridas nos protestos registados este sábado em vários pontos da Turquia.

Manifestantes e a polícia envolveram-se em violentos confrontos na praça Taksim, em Istambul, e o Presidente turco, Abdullah Gul, acabou por intervir, ordenando a retirada dos agentes policiais.

Nos últimos dias tem crescido uma onda de descontentamento em relação ao primeiro ministro Recep Tayyip Erdogan. A tensão subiu de tom nos últimos cinco dias, desde que teve início o movimento “Occupy Gezi”, com a ocupação do parque com este nome, junto à praça Taksim, para o qual há um plano para que seja destruído para dar lugar à reconstrução de uma caserna dos tempos do Império Otomano e um centro comercial.

Mas os protestos acabaram por dirigir-se contra Erdogan e o seu partido, que tem dado passos controversos, como limites ao consumo de álcool e alertas contra manifestações públicas de afecto, como o simples acto de beijar-se numa estação de metro.

Erdogan diz que os protestos têm motivação ideológica e lançou um desafio aos manifestantes: “Se se trata de reuniões, se isto é um movimento social, onde eles juntam 20 pessoas, eu juntarei 200.000. Onde juntarem 100.000, eu trarei um milhão do meu partido”, disse, num pronunciamento na televisão.

“Aqueles que têm problemas com as políticas do Governo podem exprimir as suas opiniões dentro do quadro da lei e da democracia”, completou.

Segundo o ministro do Interior, Muammer Guler, 939 pessoas foram detidas em 90 protestos diferentes no sábado. “Alguns já foram libertados”, disse Muammer Guler.