Teatro da Trindade reabre renovado a 13 de Junho

As obras melhoraram o acesso a deficientes e reforçaram a segurança contra incêndios. O teatro reabre com o musical Esta Vida é Uma Cantiga, uma homenagem à revista com a participação de Simone de Oliveira e Anita Guerreiro.

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O Trindade tem 140 anos e é um dos teatros mais antigos de Lisboa Claudia Andrade /Arquivo

O Teatro da Trindade, em Lisboa, reabre no dia 13 de Junho com a plateia e o primeiro balcão restaurados, e um novo sistema de climatização da sala principal, disse à Lusa fonte da Fundação Inatel, proprietária do espaço.

Segundo a mesma fonte, as obras de remodelação, iniciadas em Novembro passado, exigiram um investimento de 800 mil euros e permitiram criar novos acessos directos à sala de espetáculos para pessoas com mobilidade reduzida.


“Não visíveis, mas de igual importância são as intervenções que se referem às medidas de segurança contra incêndios, passando assim o Trindade a ser mais cómodo, acessível e seguro”, realçou a mesma fonte à Lusa.

A reabertura da sala será com o musical Esta Vida é Uma Cantiga, de Henrique Feist e Vítor Pavão dos Santos.

À Lusa, fonte da Fundação Inatel afirmou que se trata de um “espectáculo que é uma celebração da música do teatro de revista, através de cantigas que se foram buscar aos mais de 150 anos que o género teatral teve de vida em Portugal”.

O musical conta com a participação especial de Simone de Oliveira e Anita Guerreiro, duas vedetas dos cartazes de revista dos anos de 1960 e 1970, intérpretes de êxitos como Esta Lisboa que eu amo e Cheira a Lisboa, respetivamente.

O título do musical foi encontrado numa das canções da revista O Dia da Espiga, que se estreou em 1929. Constituem o elenco Henrique Feist, FF, Anabela e Wanda Stuart, sendo a direção musical e artística de Feist.

O edifício do teatro, inaugurado em 1867, passa a ter “sistemas energeticamente mais eficientes”, resultado da remodelação das instalações ao nível da climatização e da ventilação.

As obras, iniciadas em Novembro do ano passado, renovaram também a rede de água de combate a incêndio para uso de emergência, e foi feita a compartimentação corta-fogo de espaços interiores, de acordo com as normas de Segurança Contra Incêndios em Edifícios.

O Teatro da Trindade foi uma iniciativa do empresário, homem de letras e director teatral Francisco Palha que, em 1866, constituiu uma sociedade destinada à construção do novo teatro, desenhado pelo arquitecto Miguel Evaristo de Lima Pinto.

O espaço de lazer lisboeta, localizado onde antes do terramoto de 1755 era o palácio dos condes de Alva, abriu portas no Carnaval de 1867.
 
O então Salão Trindade era uma sala de bailes, concertos e conferências, anexa ao teatro, e, em Novembro de 1867, o Teatro da Trindade propriamente dito, abria em dia de estreia de gala, na qual esteve presente a família real. Foram apresentados o drama A Mãe dos Pobres, de Ernesto Bieste, e a comédia O Xerez da Viscondessa.

O Salão Trindade foi demolido em 1921, depois de adquirido pela Anglo Portuguese Telephone Company, enquanto o empresário José Loureiro comprou, à companhia telefónica, o Teatro, que reequipou, reabrindo-o em fevereiro de 1924.

Segundo o Diário de Notícias da época, o aspecto da sala era “mais lindo e mais belo do que nunca”.
 
Ao longo de mais de um século o Teatro da Trindade foi palco de diferentes projectos, designadamente a companhia Os Comediantes de Lisboa, o Teatro Nacional Popular, a Companhia Portuguesa de Ópera e a sede da Fundação Nacional para a Alegria no Trabalho (FNAT), antecessora da actual Fundação Inatel, proprietária do edifício desde 1962.

O Teatro da Trindade, com 140 anos, é um dos mais antigos da capital portuguesa. Tem capacidade para 495 espetadores.