Novo Jornal Sénior é "à antiga, em papel"

Director do jornal revelou que o objectivo "não é ter lucros nem ordenados especiais, é manter isto vivo". Mário Zambujal diz que se está a "divertir muito".

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Mário Zambujal tem 77 anos e é presidente do Clube de Jornalistas João Henriques

O novo quinzenário Jornal Sénior, destinado "a pessoas que levam já décadas a ouvir os parabéns a você", vai para as bancas nesta quinta-feira, dirigido pelo escritor e jornalista Mário Zambujal.

Quando o jornalista foi convidado para director da nova publicação sentiu o "dever de não recusar" a proposta, por ser "uma coisa tão bem estudada e com grande aceitação", confessou ao PÚBLICO.

Apesar de a circulação dos diários generalistas ter caído 10% nos dois primeiros meses de 2013, face ao mesmo período de 2012, Zambujal não se sente incomodado, porque o Jornal Sénior é quinzenal e “não pretende fazer concorrência a ninguém”.

O jornal de 48 páginas, com uma edição de 20 mil exemplares, vai ter temas muito diversos, mas que estejam de acordo com o público-alvo a que se destina, como saúde, turismo, economia, reportagens, entrevistas e opiniões. "Gostaríamos que o jornal tivesse coisas que não fossem meramente capazes de interessar aos que têm mais de 60 anos, mas também meter isto num corpo especial chamado família", revelou o director da nova publicação.

Assim, explicou, o Jornal Sénior “é predominantemente de assuntos que têm que ver com saúde, com reportagens, com curiosidades, com alguma coisa de quem já pisou a barra dos 60 anos ou está perto, mas também pode ser um bom companheiro de leitura, com utilidade, para aqueles que fazem parte da família desses leitores prioritários”.

A equipa tem cerca de 20 pessoas e alguns nomes são conhecidos como os das escritoras e jornalistas Alice Vieira e Leonor Xavier, mas também os de Rui Tovar, José Vegar, Pedro de Freitas, Humberto Lopes e Luís Filipe Pereira.

Estímulo para o jornalismo
O professor de Jornalismo da Universidade do Minho Joaquim Fidalgo, que também foi membro da direcção e provedor do PÚBLICO, defende também que o facto de "ser quinzenal é muito importante". "A questão que se coloca é se faz sentido um novo jornal em papel. Pode ser um trunfo por ser direccionado a gente que se habituou a ler o jornal em papel", conclui.

Joaquim Fidalgo considera que "as coisas estão mal e vão continuar cada vez pior para os jornais diários em papel, porque de facto correspondem a um tempo de massificação que hoje em dia já não faz sentido". Apesar disso, o jornal impresso não vai desaparecer por causa da "relação das pessoas com o papel".


"Recuso-me a acreditar que os jornais em papel vão acabar porque há 60 anos que o meu amanhecer é a folhear jornais", afirmou Mário Zambujal. Por isso, o Jornal Sénior "é à antiga, em papel", sem edição online.

Apesar de o director do jornal considerar positivo que o público-alvo seja muito amplo, o especialista em marcas e presidente da Ivity Brand Corp, Carlos Coelho, considera que esta amplitude pode trazer problemas à nova publicação. "Estão a fazer mal ao abrangerem um público-alvo tão grande, porque não é um nicho de mercado. Pode parecer, mas a realidade é que em Portugal há mais pessoas velhas do que jovens", afirmou Carlos Coelho ao PÚBLICO.

"É um óptimo estímulo para o jornalismo", considera ainda assim o especialista de gestão de marcas, "e tem espaço no mercado, ainda que numa altura muito recessiva".

Com um custo de 95 cêntimos, o objectivo do jornal é ter receitas suficientes para a sobrevivência do projecto, diz Mário Zambujal: "O que se pretende não é ter lucros, nem ordenados especiais, é manter isto vivo."

O Jornal Sénior é um projecto editorial de Maria da Assunção Oliveira e Alexandra Abreu, financiado por Adriano Eliseu.

Notícia corrigida dia 9 de Maio de 2013 às 17h58: removida a indicação de que Joaquim Fidalgo fazia parte da lista de colaboradores do Jornal Sénior.