CGTP e UGT unidas na Avenida da Liberdade nas críticas a Cavaco

Em dia de celebração dos 39 anos do 25 de Abril de 1974, os líderes sindicais não pouparam o Presidente da República na culpa da crise. A Associação 25 de Abril promete várias acções populares ao longo do ano como preparativo para a festa dos 40 anos da revolução dos cravos.

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A luta continuou na Avenida da Liberdade Nuno Ferreira santos
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Cravos sempre presentes Nuno Ferreira santos
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As ruas voltaram a estar cheias Nuno Ferreira Santos

O recém-empossado secretário-geral da UGT, Carlos Silva, criticou Cavaco Silva por proferir um discurso que “não tem eco para as pessoas que mais sofrem e que sentem os sacrifícios que lhes são impostos”. Carlos Silva acrescentou ainda que o Presidente da República pode “devolver aos portugueses a decisão sobre o seu futuro.

As palavras utilizadas pelo secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos, foram semelhantes às do líder da UGT. Arménio Carlos criticou o discurso de Cavaco Silva por afirmar que “a austeridade se vai prolongar”, citado pela Lusa.

O Presidente da República devia assumir “o fracasso desta política e a necessidade de mudança”, diz Arménio Carlos, mas em vez disso considera que Cavaco “é o chefe do Governo” e um dos “responsáveis” pela austeridade imposta aos portugueses.

“Este pode ser o Governo do Presidente da República, mas de certeza que há muito que já não é o Governo da maioria dos portugueses”, acrescentou o líder da CGTP, pedindo eleições antecipadas.

Também o Coronel Villalobos Filipe, da Associação 25 de Abril, considerou que “o Presidente da República não pode abstrair-se da gravidade da situação” em que os portugueses vivem. Assim que Villalobos Filipe se referiu a Cavaco Silva, ouviram-se apupos no Rossio, em protesto contra o Presidente da República.

O coronel criticou ainda a actuação do executivo de Passos Coelho, afirmando que “este Governo deitou para o lixo os compromissos eleitorais”. Villalobos Filipe acrescentou também que o país vive uma situação “dramática” e que estão a ser impostas “medidas inauditas de austeridade”.

No final do discurso, ouviu-se a Grândola, vila morena, de Zeca Afonso, cantada em uníssono pelos milhares de manifestantes presentes no Rossio, de cravos nas mãos e punhos erguidos.