Institutos Politécnicos querem passar a chamar-se Universidades de Ciência Aplicada

O Conselho Coordenador dos Institutos Superiores divulgou um conjunto de propostas de remodelação do ensino superior politécnico durante a apresentação de um relatório encomendado a uma universidade holandesa.

Politécnicos temem não ter professores para todas as aulas
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Um relatório da Universidade de Twente, na Holanda, indica que há mais estudantes em part-time em politécnicos portugueses do que em universidades. Paulo Ricca/arquivo

O Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos (CCISP) quer que os politécnicos passem a ser designadas como Universidades de Ciências Aplicadas, uma sugestão que faz parte de um conjunto de propostas de remodelação do sistema de ensino superior.

“Não há outro país europeu com a designação de Instituto Politécnico, o que torna difícil a comparação em níveis internacionais”, explicou o presidente do CCISP, Joaquim Mourato, durante a apresentação de um relatório encomendado pelo conselho ao Center for Higher Education Policy Studies (CHEPS), da Universidade de Twente, na Holanda.

A proposta "não resulta por se querer a designação de universidade, até porque a diferença entre universidades e politécnicos continuaria", avançou Joaquim Mourato, sublinhando que se trata de um modo de "afirmação internacional". 

O CCISP pede também a criação de Centros de Investigação Aplicada e de Transferência de Tecnologia que “possam dar cobertura a todas as instituições politécnicas e que estejam associadas ao tecido empresarial regional”. De acordo com Joaquim Mourato, a constituição e existência destes centros deve ser apoiada por projectos e investimentos da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT).

Da lista de propostas do CCISP consta ainda, entre outras, a integração de representantes das actividades profissionais nas equipas de avaliação externa da Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior (A3ES). As ordens profissionais já estão, contudo, integradas na agência, nomeadamente quando são chamadas a dar pareceres sobre acreditações.

No que diz respeito a fusões ou consórcios, o presidente do CCISP considera que “deve caber a cada instituição tomar essa decisão” e alerta que “não é com o objectivo de reduzir a despesa do Estado que se avança para uma fusão”.

Uma opinião que vai ao encontro das conclusões do relatório, que foi apresentado esta quarta-feira no Conselho Nacional de Educação, em Lisboa. “É preciso muito cuidado com as fusões e devem ser procuradas formas alternativas de cooperação. Os benefícios económicos a curto prazo são limitados”, explicou o investigador da universidade holandesa, Jon File.

O relatório compara o sistema de ensino binário em Portugal - politécnico e universitário - com alguns países da Europa e o investigador explicou que "não existem diferenças radicais". 

Num retrato do ensino superior politécnico português, o estudo conclui que os politécnicos têm mais estudantes em part-time e de idades mais avançadas do que as universidades. Embora as instituições politécnicas do interior de Portugal ofereçam mais cursos de especialização tecnológica, o relatório não identificou diferenças relevantes entre os politécnicos do interior e os do litoral.

As propostas do CCISP foram bem acolhidas pelas associações de estudantes. “Os estudantes estão disponíveis para discutir estas propostas. Algumas até são ideias que a federação tem vindo a apresentar ao longo dos anos”, afirmou o presidente da Federação das Associações de Estudantes do Ensino Superior Politécnico, também presente na apresentação do relatório.