Jornal de Angola volta a atacar a Justiça portuguesa e as “elites corruptas”

Director do jornal diz que a Justiça portuguesa tem "dois pesos e duas medidas".

Director do <I>Jornal de Angola</i> não poupa a justiça portuguesa
Foto
Director do Jornal de Angola não poupa a Justiça portuguesa AFP

O Jornal de Angola voltou a atacar a Justiça portuguesa num artigo de opinião do director do diário a propósito da condenação de Maria Eugénia Neto, viúva do primeiro Presidente de Angola, Agostinho Neto, pelo crime de difamação da historiadora Dalila Cabrita Mateus.

Num artigo, com a data de domingo na edição online do jornal, intitulado “Pobre justiça portuguesa”, o director, José Ribeiro, diz que “os fascistas nunca conseguiram” levar Maria Eugénia Neto aos tribunais plenários, “porque ela se escapou por entre as suas garras”,” mas no Portugal de hoje, dominado pela crise financeira, por elites corruptas e pela perda de valores de toda a natureza, ela foi julgada no Tribunal Criminal de Lisboa e condenada”.

Maria Eugénia Neto foi condenada a 19 de Abril a 150 dias de multa e ao pagamento de uma indemnização de 2000 euros a Dalila Cabrita Mateus, que acusou Neto de difamação pelas suas declarações numa entrevista ao Expresso, em Janeiro de 2008. Interrogada sobre os acontecimentos de 27 de Maio de 1977 em Angola, um confronto entre facções do MPLA de que resultaram vários mortos, e sobre os quais Dalila Mateus escreveu o livro Purga em Angola, a viúva de Neto chamou-lhe "desonesta" e "mentirosa".

O artigo de opinião do Jornal de Angola começa por lembrar que Maria Eugénia Neto “enfrentou com coragem o regime fascista e colonialista de Lisboa”; salienta a “grande mulher que acompanhou e deu a sua vida à luta de libertação dos povos das ex-colónias portuguesas”, acrescentando que “na História de Portugal não há nenhuma mulher com a dimensão de Maria Eugénia Neto”.

“Por isso muitos a odeiam. Mas Maria Eugénia Neto tem um amor e um carinho especial pelo povo português. Mostrou isso sempre e muito especialmente em 1978, quando os presidentes Ramalho Eanes e Agostinho Neto decidiram, em Bissau, dar livre curso à História e reatar as relações que outros dirigentes portugueses cortaram, envenenaram ou simplesmente desprezaram”, diz o articulista.

Depois de várias considerações sobre o livro de Dalila Cabrita Mateus, que considera “um tributo notável à desonestidade intelectual, à aldrabice, ao ressentimento, ao ódio contra Angola”, o director do jornal lembra que, “há dias, o Ministério Público de Lisboa mandou arquivar uma queixa apresentada por generais angolanos contra um ‘activista’ [Rafael Marques] que os acusou de assassinos e torturadores”.

“O magistrado que apreciou a queixa mandou arquivá-la, porque o autor de tão graves acusações apenas fez uso da ‘liberdade de expressão’. O mesmo serviço que assim decidiu recusou agora a Maria Eugénia Neto o mesmo direito. Dois pesos, duas medidas”, acrescenta.

A concluir, o director do Jornal de Angola diz que “um tribunal português conseguiu julgar Agostinho Neto e os seus camaradas na pessoa de Maria Eugénia Neto”.

“Pobre justiça portuguesa!”, afirma.