Rafael Marchante/Reuters
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Megafone

Politiqueiros

Coloquei-me uma pergunta sobre as notícias que li sobre “movimentações políticas”: quem nos governa é um amador coadjuvado por um grupo de outros tantos amadores e estagiários? O que me levou a outra: os nossos políticos são maus?

Sempre gostei de escrever cartas. De todo o tipo. Usar a caneta para tingir um pedaço de papel com uma mensagem é coisa que ainda aprecio. No entanto, e por várias circunstâncias maioritariamente de cariz tecnológico, não com a regularidade de outros tempos.

Infelizmente, as cartas à antiga perderam o seu quê de importância. Foram, em grande parte e como já referi, abafadas por outros formatos mais modernos e rápidos. A não ser quando o assunto, o motivo e o destinatário envolvem uma certa formalidade.

Algo que se enquadra ao que o nosso primeiro-ministro fez recentemente com os seus parceiros da tal de troika. Só lamento duas coisas. Primeiro, que o tenha começado a fazer após uma iniciativa do líder do maior partido da oposição. Ou seja, tardiamente. E, segundo, que não nos coloque ao corrente do seu conteúdo.

Uma atitude pouco elegante. Amuo pelos apupos e chumbos constitucionais? Talvez. Mas, tal como o corno não gosta de ser o último a saber, também os portugueses não vão gostar de saber o que se passa dentro de portas depois dos outros. Como tal só podemos tirar uma conclusão: o que ele escreveu não foi, com certeza, uma carta de amor e, porventura, deve ser pouco agradável. E como o 25 de Abril e o 1.º de Maio estão aí à porta o senhor resolveu proteger-se e usar de um secretismo desnecessário.

Coloquei-me, então, uma pergunta sobre as várias notícias que li sobre “movimentações políticas”: quem nos governa é um amador coadjuvado por um grupo de outros tantos amadores e estagiários? O que me levou a outra: os nossos políticos são maus?

Claro que não são todos maus. Como me dizia uma amiga residente em Paris, e muito bem, “não podemos uniformizar as pessoas”. Concordo. O mesmo se aplica aos políticos. Mas “grande parte deles” parecem-me ser gente carreirista. Que olha para a política como uma oportunidade, uma alavanca para um futuro profissional agradável ou, em alguns casos, “clubismo”. Todos nós temos amigos que são deste ou daquele partido porque os pais e avós já o eram. Há de tudo. Até quem lá esteja por vocação e por querer mesmo participar activamente nos destinos do país. Gosto destes últimos por razões óbvias.

"Estamos bem tramados"

E neste Governo (os bons) quase não existem. Temos indivíduos que vão do inexperiente ao demasiado “profissional” ou conhecedor do tema. Nos inexperientes, por exemplo, temos um Álvaro Santos Pereira (a teoria é diferente da práctica e nós não somos o Canadá) ou uma Assunção Cristas (uma mulher jovem mas com uma experiência de vida, por certo, a laborar nos campos de cultivo ou a pescar em mar alto…). Já nos outros podemos falar do Paulo Macedo (a saúde deve ser gerida como um banco?) ou num Nuno Crato (há coisas onde a matemática não vence…). Escolhas acertadas ou desajustadas? O tempo o dirá.

Depois temos o Paulo Portas. É um sujeito que, e apesar das diferenças ideológicas, tenho que confessar que admiro. Sabe o que faz. É um verdadeiro sobrevivente. Goste-se ou não, ele está sempre lá. Pode ser uma “Maria vai com todos”, mas faz o seu papel. E este é manter o seu partido vivo. Há que o respeitar por isso. Na minha óptica é, actualmente, o único verdadeiro político português da escola pós-25 de Abril. Sabe-a toda. E, por muito que custe a uns tantos de portugueses, ele tem mesmo sentido de Estado.

Onde quero chegar com tudo isto? Em termos gerais, não temos as pessoas certas a gerir Portugal. Aliás, a política foi o mote das minhas conversas semanais. Talvez por isso mesmo este artigo seja totalmente dedicado a este tema. A conclusão só pode ser uma e chega pelas palavras da mulher que me trouxe ao mundo: “Estamos bem tramados”.