António Capucho: Relvas “contribuía para o desprestígio do Governo”

Ex-conselheiro de Estado considera decisiva capacidade de Passos face ao debate da reforma do Estado
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Capucho considera que saída de Relvas “é a primeira tentativa de recolocar o Governo nos carris” Rui Gaudêncio

O social-democrata António Capucho considera que a saída de Miguel Relvas é benéfica para o executivo. “A demissão é útil porque Miguel Relvas, com todas as questões em que esteve envolvido, contribuía para o desprestígio do Governo. Ninguém percebia como ele permanecia no Governo”, defendeu.

Capucho considera que esta demissão é o início da mudança da equipa governamental. “Espero que o primeiro-ministro possa aproveitar a demissão de Miguel Relvas para introduzir uma alteração profunda para recuperar a confiança do país”. Porém, sendo esta saída “a primeira tentativa de recolocar o Governo nos carris”, “não é suficiente para recuperar a confiança desejável” entre os portugueses.

António Capucho, ouvido pela RTP Informação, afirmou que as tarefas de Miguel Relvas de supervisionar a política de “comunicação das medidas” do Governo e de “coordenação dos vários ministérios” nem sequer estavam a ser cumpridas.

Já Ângelo Correia, um histórico social-democrata especialmente próximo de Passos Coelho e Miguel Relvas, diz que o ministro dos Assuntos Parlamentares sai agora, sozinho, “para não ser confundido com o resto do Governo” que eventualmente será remodelado mais tarde ou mais cedo, e para ter, assim, “um destaque particular”.

“Miguel Relvas, pela relação afectiva e política que há muitos anos tem com ele [Passos Coelho] e pelo papel relevante que desempenhou neste Governo, não faria sentido que tivesse um tratamento igual aos ministros que venham a sair” numa remodelação do executivo, defendeu Ângelo Correia na RTP Informação.