Estudantes do ensino superior ameaçam recorrer a “acções de força”

Movimento associativo alerta para os “mais de 1500 estudantes” a quem são recusadas bolsas de estudo por causa de dívidas tributárias ou contributivas de familiares.

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Protesto em 2012 contra fecho de cantina no ISCTE, em Lisboa Enric Vives-Rubio

Os estudantes do ensino superior enviaram uma carta aberta ao primeiro-ministro onde exigem uma reunião urgente para debater o rumo do sector. Caso este pedido não seja aceite, ameaçam recorrer a “acções de força”.

A exigência foi feita por uma comissão do Movimento Associativo do Ensino Superior, composta por 13 associações de estudantes de todo o país. Os alunos defendem que “há mais futuro e há mais país além da crise”.

Num comunicado, a comissão alerta para os “mais de 1500 estudantes” a quem são recusadas bolsas de estudo por causa de dívidas tributárias ou contributivas de familiares, situação que considera ser “inaceitável”.

"A educação é o maior investimento que o país pode fazer no seu futuro. Continuamos a investir menos do que a maioria dos países da União Europeia no ensino superior, temos uma das propinas mais elevadas da Europa, um sistema da acção social escolar obsoleto e ineficaz e a realidade do abandono escolar, do desemprego jovem e da emigração", lamentam os estudantes.

O movimento acredita que “uma solução é possível sem uma ruptura política, mas faz saber que essa posição poderá ser alterada. “A constante e inexplicável falta de resposta e diálogo por parte da tutela” estão a fazer com que os estudantes comecem a pensar em mudar de opinião, “porque o silêncio empurra para a rua quem, apesar de tudo, ainda está disponível para o diálogo”.

Ultimamente, os estudantes têm subido o tom dos protestos, organizando diversas manifestações contra as políticas para o ensino superior.

A posição do Movimento Associativo do Ensino Superior foi conhecida no domingo, Dia do Estudante, que assinala os 51 anos da Crise Académica de 1962. Um dia que serviu para "lembrar que a educação, os estudantes e os jovens importam e são decisivos para construir o Portugal de amanhã."