Distúrbios na Bela Vista após morte de jovem

Jovem despistou-se e morreu na sequência de uma perseguição policial. Caso gerou protestos e violência contra a polícia no bairro da Bela Vista.

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Imagens das ruas da Bela Vista, após os distúrbios entre moradores e polícia Miguel Madeira
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Vários jovens arremessaram na noite de sábado pedras e incendiaram caixotes do lixo no bairro da Bela Vista, em Setúbal, em protesto contra a morte de um rapaz de 18 anos, que morreu na sequência de uma perseguição policial. O jovem terá passado um semáforo vermelho e foi perseguido por elementos da PSP.

Os momentos de tensão e confronto na Bela Vista começaram por volta das 20h, quando jovens na casa dos 20 anos e até mais novos começaram a queimar caixotes do lixo, insultar agentes e vandalizar carros e um autocarro. 

Perto das 22h a polícia começou a disparar. Um grupo de jovens dispersou-se quando ouviu um desses tiros. Mas reagrupou-se rapidamente e incendiou caixotes do lixo na Rua Sacramento, seguindo depois pela Rua Padre José Maria Nunes da Silva, um dos limites do bairro, a poucos metros da esquadra de polícia, derrubando e queimando mais caixotes, ecopontos e pontos de recolha de roupa, entre uivos, assobios e gritos contra a PSP.

A PSP agia com precaução, sabia que estava a ser filmada. Por detrás de um dos grupos de intervenção havia uma câmara de televisão que seguia atentamente todos os passos dos agentes. 

Alguns moradores insultavam a polícia, enquanto outros, na rua, desaprovavam em surdina a queima e os distúrbios. Havia fumo por toda a rua, cheirava a plástico queimado. Havia mães que gritavam pelos filhos das janelas, temiam detenções dos jovens.

Um grupo de polícias passou e ouviu-se no rádio "reforços, rápido, estamos a ser fortemente apedrejados", mas não se percebia o local exacto. Entretanto, começou a "dança dos carros". Moradores correram para os seus carros, tentando estacioná-los longe do bairro e da confusão. Já havia veículos atingidos nos vidros com pedras que tinham como alvo a PSP. 

Um autocarro que passava pela Bela Vista foi apedrejado pouco depois das 22h.

O PÚBLICO testemunhou que agentes, à paisana, num carro descaracterizado, responderam com tiros das armas de serviço. Mais cedo os tiros tinham vindo de caçadeira shotgun, maiores do que as pistolas de serviço. Os tiros foram dirigidos para o ar para dispersar grupos de jovens encapuzados, que empunhavam isqueiros e pedras da calçada.

A polícia estava a pedir às pessoas na rua que regressassem a casa.

Pelas 23 horas, segunda a Lusa, a situação junto à esquadra da Bela Vista estava controlada, mas ao final da tarde as instalações chegaram a estar cercadas pelos moradores..

Para repor a normalidade no bairro, foi mobilizado para o local um forte contingente da PSP, incluindo o corpo de intervenção.

Por volta da meia-noite, altura em que a PSP considerou que a normalidade estava reposta, foram desmobilizados os reforços que tinham sido chamados para o local, relata a Lusa.

Perseguição policial
A PSP admitiu ao fim da noite de sábado à Lusa que foram feitos dois disparos de intimidação na direcção do jovem que seguia numa mota sem capacete e que se despistou, acabando por morrer, perto do Bairro da Bela Vista.

Segundo fonte da PSP de Setúbal, os agentes que efectuaram os disparos usaram munições de borracha e acreditam que os disparos não chegaram a atingir o jovem que viria a despistar-se e a embater numa caixa da EDP o que lhe terá causado a morte, na zona das Manteigadas.

O adolescente seguia numa mota, sem capacete, e não parou numa operação STOP, de acordo com agentes da PSP citados pelas repórteres da SIC e da TVI. Seguiu-se uma perseguição policial com os agentes a dispararem “dois tiros para o ar”, segundo a SIC, e “vários tiros sobre o veículo”, segundo a TVI.

 A estação de Queluz adiantou que “pelo menos uma das balas atingiu o rapaz”.

Contactada pelo PÚBLICO, a direcção nacional da PSP diz que está a recolher informação sobre o que se terá passado. “Terá acontecido na sequência de um acidente de mota”, afirmou o subcomissário Vieira. O jovem viajaria sem capacete e estaria em fuga quando caiu, mas todos estes elementos, sublinhou, estão sujeitos a confirmação. A PSP ainda não emitiu um comunicado. 

A versão que circula, entre os jovens no local, é que o rapaz passou junto à esquadra, sem capacete, o que terá sido encarado como uma provocação. E que se seguiu uma perseguição, com tiros.