Iniesta também joga na Clericus Cup

Há um torneio de futebol que não é dominado pela Espanha, apesar de contar com o apelido de um dos melhores mundo.

O jogo entre o Colégio Espanhol e os Mártires Norte-Americanos
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O jogo entre o Colégio Espanhol e os Mártires Norte-Americanos DR

Dano colateral da renúncia de Bento XVI: a sétima edição Clericus Cup, torneio internacional de futebol do Vaticano, teve de ser interrompida. Mas foi só durante uma semana. Neste sábado recomeça esta competição exclusiva para sacerdotes e seminaristas com vista para a Basílica de São Pedro, que reúne 355 jogadores (entre eles, dois portugueses), representando 56 países de cinco continentes. Entre os inscritos, há um apelido familiar, Iniesta, que joga pela equipa do Colégio Espanhol.

Não se pense que Andrés Iniesta, estrela maior do futebol mundial, abandonou o Barça nos últimos dias e se mudou de Barcelona para Roma. É Juan Iniesta, um sacerdote de Albacete (terra de origem do médio do clube catalão), que admite algum parentesco longínquo com o craque, mas que nunca conheceu pessoalmente. Mas ter um nome destes na equipa pouco fez para evitar que esta Roja eclesiástica sofresse uma pesada derrota por 6-0 frente ao Mártires Norte-Americanos, os campeões em título.

Iniesta não é o único apelido familiar do torneio. O capitão da Roja é um padre de Pontevedra chamado José Alberto Montes Rajoy, mas sem relações de parentesco com o primeiro-ministro espanhol Mariano Rajoy. Apesar da derrota pesada, o padre Rajoy diz que esta equipa, que faz a sua estreia na competição, “tem qualquer coisa de tiki-taka”, mas não pôde com o fôlego dos norte-americanos: “Temos de ver que eles são seminaristas e nós somos sacerdotes. Diz-se que a experiência é um posto, mas a juventude foi mais forte.”

Este torneio foi criado em 2007 pelo cardeal italiano Tarcisio Bertone, camerlengo da Igreja de Roma e entusiasta de futebol, sendo um adepto assumido da Juventus – e já foi comentador de jogos da Serie A para uma televisão italiana. As regras são as normais para o futebol de 11, com algumas variações. Por exemplo, em vez de 90 minutos, um jogo tem apenas 60 (duas partes de 30), podem ser feitas cinco substituições e há mais um cartão que o árbitro pode mostrar aos jogadores, o azul, que dá uma exclusão temporária por cinco minutos.

A Clericus Cup não é a única relação do Vaticano com o futebol. Há, por exemplo um torneio anual, a Taça Vaticano, que inclui equipas formadas por elementos da Guarda Suíça ou por empregados do museu do Vaticano ou da biblioteca. O anterior Papa, João Paulo II, foi, enquanto jovem, guarda-redes numa equipa polaca e, em 2004, ordenou a formação de um departamento desportivo no Vaticano, que, apesar de ser reconhecido como um Estado soberano, não faz parte da FIFA nem da UEFA. Mas há registos de jogos de uma selecção do Vaticano, que chegou a defrontar, em 2003, uma selecção do Mónaco. Um jogo que terminou no empate sem golos.

Planisférico é uma rubrica semanal sobre histórias e campeonatos de futebol periféricos