Todos os anos são mortos 100 milhões de tubarões

Cientistas alertam para a possibilidade de extinção de algumas espécies. Representantes de mais de 150 países vão discutir propostas que visam reforçar a protecção destes animais.

Fotogaleria
Os tubarões são muito apreciados na Ásia pelas suas barbatanas, usadas para fazer sopa AFP
Barbatanas sob o sol: milhões de tubarões mortos todos os anos
Fotogaleria
Milhares de barbatanas de tubarão são postas a secar nos telhados dos edifícios, denunciam os ambientalistas Antony Dickson/AFP
Fotogaleria
Organizações de ambiente têm pressionado o governo para banir a captura de barbatana de tubarão Antony Dickson/AFP
Fotogaleria
O comércio de barbatanas não é proibido Antony Dickson/AFP

Algumas espécies de tubarões podem estar a caminhar rapidamente para a extinção. Cientistas estimam que em 2010 tenham sido mortos 97 milhões de tubarões, pouco menos do que em 2000, quando 100 milhões terão sido capturados. Mas este é apenas um número médio: a realidade pode andar entre os 63 milhões e os 273 milhões, por ano.

Estes dados constam de um estudo elaborado por cientistas norte-americanos, publicado online na revista Marine Policy na sexta-feira, dois dias antes do início de mais uma conferência da Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies Ameaçadas de Extinção – conhecida pela sigla CITES – que decorre até 14 de Março na Tailândia. O reforço da protecção dos tubarões é um dos assuntos na agenda.

Os investigadores analisaram dados sobre a quantidade de tubarões pescados e colocados no mercado – onde muitas vezes já só chegam as barbatanas, muito apreciadas na Ásia. Concluíram, por um lado, que, pela tendência actual, há um risco real de extinção. Isto porque o número de tubarões capturados anualmente representa, em média, entre 6,4% e 7,9% da população total destes animais, uma taxa superior à de reprodução, que é de 4,9% por ano.

“A reconstrução dos stocks empobrecidos é comprovadamente impossível”, escrevem os autores. E deixam um aviso: “Tendo em conta os resultados deste estudo, e o trabalho prévio sobre a vulnerabilidade dos tubarões perante a sobrepesca, é imperativo que sejam elaboradas estratégias robustas para gerir e conservar a população de tubarões”.

Carcaças sem barbatanas
Por outro lado, os cientistas perceberam que a retirada das barbatanas e posterior rejeição da carcaça dos animais no mar (uma prática conhecida como finning) aumentou desde a década de 1980, apesar de vários países terem proibido essa actividade nos últimos anos. Segundo o estudo, em 2000 foram capturadas 1638 milhões de toneladas de tubarões. Destas, 503 mil toneladas foram desembarcadas em terra, mas 1135 milhões foram rejeitadas no mar – na sua maioria tubarões aos quais foram arrancadas as barbatanas (908 mil toneladas).

Os tubarões são apreciados pela sua carne, pelo óleo de fígado, pela cartilagem e sobretudo pelas suas barbatanas, que são vendidas como uma iguaria, muito utilizadas para fazer sopa, particularmente na China. Esse apetite voraz do mercado fez com que 28% das espécies conhecidas sejam agora consideradas em risco de extinção, segundo a Lista Vermelha de espécies ameaçadas, da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN). E nem a atribuição de estatutos de protecção pela CITES, por exemplo, ao tubarão branco, ao tubarão-baleia e ao tubarão-frade, tem resolvido o problema.

O reforço da protecção dos tubarões e a proibição do seu comércio internacional, nomeadamente do tubarão-sardo, tubarão-branco e três tipos de tubarão-martelo, é uma das propostas que marcam os trabalhos da CITES nos próximos dias. Cerca de 2000 delegados, representando mais de 150 países, vão discutir 70 propostas relativas a alterações aos anexos da convenção sobre os graus de protecção das espécies, para travar o comércio ilegal.

Marfim na mira
Além dos tubarões, na agenda estão também decisões sobre o comércio ilegal de ursos-polares, elefantes e rinocerontes, entre outros animais.

Na sessão de abertura da conferência, no domingo, a primeira-ministra da Tailândia, Yingluck Shinawatra, prometeu que iria tomar medidas para banir o comércio ilegal de marfim no país. Só em 2012, foram mortos 25 mil elefantes para lhes ser retirado o marfim, que alimenta depois o maior mercado do mundo, na China.

“Os elefantes são muito importantes para cultura tailandesa”, disse a governante, citada pelo jornal britânico The Guardian. “Infelizmente, muitos têm usado a Tailândia como um país de passagem para o comércio ilegal de marfim”, lamentou, garantindo que vai mudar a lei.

A promessa agradou ao representante da organização ambientalista WWF na CITES, Carlos Drews, que pediu urgência na alteração da lei. Já o dirigente da Care for the Wild, Philip Mansbridge, disse estar “desiludido” com a “falta de compromisso claro” com a proibição do comércio doméstico de marfim.

A venda de objectos feitos em marfim a partir das presas de elefante é legal na Tailândia. Existem 67 vendedores autorizados, mas investigações levadas a cabo naquele país encontraram este material em mais de 250 lojas, onde o marfim africano é comercializado como sendo tailandês.

Segundo os dados oficiais, em 1979 havia mais de um milhão de elefantes em África, mas actualmente serão 400 mil. Um quilo de marfim vale cerca de 1150 euros, um valor já ultrapassado pelo chifre de rinoceronte, que chega a custar 69 mil euros por quilo no mercado negro. Só na África do Sul, foram mortos 668 rinocerontes em 2012. Em 2007, tinham sido capturados 13, segundo dados de organizações de defesa dos animais.

 
 
 

Sugerir correcção