Benfica questiona eventual perdão de dívida bancária ao Sporting

Luís Filipe Vieira deixa aviso à banca.

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Vieira Pedro Cunha (arquivo)

O presidente do Benfica, Luís Filipe Vieira, mostrou-se nesta sexta-feira preocupado com a situação financeira do rival Sporting, mas questionou a legitimidade de um eventual perdão da dívida do clube de Alvalade, por parte da banca.

“Num país em crise, há milhares de famílias postas na rua por não pagarem a renda ou a prestação da casa e outras a morrer de fome. Como é possível perdoar a dívida de um clube de futebol?”, questionou o presidente do Benfica, num encontro com jornalistas.

Sem nunca referir o nome da entidade bancária que poderá perdoar parte da dívida do Sporting, o presidente do Benfica diz que não pode “aceitar que haja um perdão sem consequências”, porque isso é “penalizar quem gere bem” e perdoar a má gestão.

“Tenho receio que os justos paguem pelos pecadores”, disse ainda Filipe Vieira. “Se houver perdão, também tem de haver perdão para o Benfica.”

Domingos Soares Oliveira, administrador da SAD do Benfica, completou o raciocínio do presidente “encarnado”: “É difícil entender que bancos intervencionados com os nossos impostos possam utilizar dinheiro dos contribuintes para perdoar dívida, seja a quem for.”

Notícias recentes deram conta de que Godinho Lopes, ainda presidente do Sporting, estava a negociar a reestruturação da dívida com o BES e o Millennium BCP. Destes dois bancos, o único que recebeu dinheiros públicos foi o Millennium.

Apesar destas críticas, o líder benfiquista mostrou-se preocupado com a situação financeira do Sporting: “Não podemos esconder que o Sporting faz falta ao futebol português. É um clube centenário, tem uma massa de milhões de adeptos.”

“Há um par de anos também fomos confrontados com mesma situação. O Benfica não existia. Não apresentávamos contas, porque elas não existiam. Era o caos”, disse Vieira, referindo-se à situação do clube após a presidência de João Vale e Azevedo.

Questionado sobre se a situação do Sporting é hoje pior do que a que o Benfica viveu no início da década de 2000, Vieira respondeu que não.

“O Sporting ainda existe. Quando Manuel Vilarinho assumiu, o Benfica não existia. Não nos davam crédito para comprar papel higiénico”, contou Filipe Vieira, falando ainda da construção do novo Estádio da Luz: “Quando começámos a construir este estádio nem 50 cêntimos tínhamos.”

O líder benfiquista deu este exemplo para dizer que o “Sporting tem solução, como o Benfica teve”. E até se disponibilizou para ajudar a pensar em formas de o rival sair da crise.