Chumbos no 12.º ano aumentaram 6,4% em dois anos

Inquérito a estudantes mostra que um terço chega ao secundário com um ou mais anos de atraso.

Este será o último ano em que os alunos do 9º podem fazer provas a nível de escola e prosseguir estudos de nível secundário
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Exames mais difíceis estão a ter consequências Rui Gaudêncio (arquivo)

Há mais estudantes com negativas no 12.º ano e consequentemente aumentou também o número dos que reprovam no final do ensino secundário.

Dados do inquérito Estudantes à Saída do Secundário 2011/2012, divulgado nesta quarta-feira pelo Ministério da Educação e Ciência (MEC),  dão conta de que os estudantes que dizem ter reprovado no 12.º ano registou naquele ano lectivo um acréscimo de 6,4% por comparação a 2009/2010, o que se ficará sobretudo a dever à maior exigência dos exames nacionais.

Em contrapartida, houve um decréscimo de 7,7% no número de alunos que dizem ter reprovado no 10.º ano, o primeiro do secundário. Neste nível de ensino, este continua a ser, contudo, o ano com mais chumbos: mais de metade das retenções no secundário ocorrem no 10.º ano.

No inquérito elaborado pelo  Observatório de Trajectos dos Estudantes do Ensino Secundário (OTES) atribui-se este facto ao chamado “efeito de transição” provocado pelo “aumento de exigência escolar” e por “lógicas de funcionamento, linguagem e modos de gestão do tempo e do espaço diferentes ao que os alunos estavam habituados”.

Foram inquiridos 47.024 estudantes que se encontram inscritos no 12.º ano ou equivalente, o que corresponde, segundo o OTS, a 60,1% dos alunos matriculados no ano lectivo passado. Destes cerca de um terço tinha chegado ao secundário com um ou dois anos de atraso. 

Esta realidade é mais acentuada entre os inquiridos que frequentavam o ensino particular: 8,6%  tinham um atraso de três ou mais anos, enquanto no ensino público eram 2,6%.  A maior parte dos alunos do ensino particular inquiridos estava em escolas profissionais.