Juiz inicia penhora dos bens de Iñaki Urdangarin

Iniciativa acontece depois de expirado o prazo para o genro do rei e o sócio entregarem uma caução de 8,1 milhões de euros e indicia que processo de instrução estará próximo do fim.

Urdangarin foi ouvido no sábado e negou qualquer envolvimento da Casa Real na fundação Nóos
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Urdangarin foi ouvido no sábado e negou qualquer envolvimento da Casa Real na fundação Nóos Enrique Calvo/Reuters

O magistrado que lidera as investigações ao genro do rei Juan Carlos de Espanha avançou para a penhora dos bens de Iñaki Urdangarin e do seu sócio na fundação Nóos, depois de expirado o prazo para que estes entregassem uma caução de 8,1 milhões de euros, noticiou o diário El País.

O juiz José Castro pediu nesta terça-feira às Finanças uma lista com as contas bancárias e outros activos financeiros propriedade do marido da infanta Cristina e de Diego Torres, sócios na Fundação Nóos que, a coberto de promover o desporto e o turismo, assinou contratos de milhões de euros com entidades públicas, dinheiro esse que terá acabado por ser usado em benefício próprio.

Urdangarin e Torres tinham já apresentado à Audiência de Palma de Maiorca, onde o processo está a correr, a relação das suas propriedades imobiliárias. Segundo a mesma fonte, o juiz está também a investigar a possibilidade de os dois sócios serem detentores de outras contas e negócios, registados sob o nome de testas-de-ferro, mas igualmente susceptíveis de ser arrestadas, acrescenta o diário espanhol.

Ao fixar uma caução, o juiz responsável pela instrução quis assegurar a existência de fundos para ressarcir o erário público no caso de os dois homens virem a ser condenados em tribunal. O arresto indicia também que, após dois anos de investigação, o processo de instrução estará mais perto do fim, adianta o El País, revelando que o magistrado acredita ter indícios para acusar Urdangarin e Torres pelos crimes de desvio de fundos públicos, prevaricação, falsificação de documentos, fraude, tráfico de influências, bem como delitos fiscais e de branqueamento de capitais.

Um último passo foi dado sábado, com a segunda audição de Iñaki Urdangarin, chamado a depor uma semana depois da audiência em que Torres afirmou que a infanta Cristina pertencia à direcção da fundação e que a Casa Real estava a par de todas as actividades por elas desenvolvidas. Chegou mesmo a afirmar que um negócio com a região autónoma de Valência e a autarquia daquela cidade foi antecedida por uma reunião no Palácio da Zarzuela, em Madrid (apesar de o rei não ter estado presente). No entanto, Urdangarin, logo no início da audiência, negou esta versão, garantindo que a Casa Real não teve qualquer participação nas suas actividades na Nóos, afirmação que, mesmo assim, não chega para afastar o escândalo da monarquia.

Nesta terça-feira, a deputada e antiga candidata à liderança dos socialistas espanhóis, Carme Chacón, propôs que a Casa Real seja abrangida pela futura lei de transparência. “O que vemos actualmente na Coroa não é um espectáculo edificante. O que me parece claro é que, a partir de agora, a Coroa terá de ser transparente ou será muito difícil que continue a existir”, afirmou Chacón, em declarações à Antena 3.
 
 
 
 
 

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