Jerónimo de Sousa quer mais investimento chinês em Portugal

O secretário-geral do PCP defendeu a importância do investimento estrangeiro desde que seja respeitado “o interesse nacional”.

Os professores “estão seriamente ameaçados nos seus direitos”, diz Jerónimo de Sousa
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Os professores “estão seriamente ameaçados nos seus direitos”, diz Jerónimo de Sousa Enric Vive-Rubio

O secretário-geral do PCP defendeu em Pequim a abertura de Portugal ao investimento externo desde que seja respeitado “o interesse nacional” e assegurada a “defesa dos sectores estratégicos”.

“Qualquer investimento estrangeiro – chinês, americano ou canadiano – é sempre bem-vindo, no quadro do respeito pelo nosso interesse nacional e da defesa dos nossos sectores estratégicos e dos recursos naturais”, disse Jerónimo de Sousa em Pequim na quarta-feira à noite.

“O bom investimento (externo) é bem-vindo, tendo em conta a situação em que vivemos no nosso país e todo este sufoco (económico)”, acrescentou. Jerónimo de Sousa iniciou na segunda-feira uma visita de uma semana à China, acompanhado por Pedro Guerreiro, responsável da Secção Internacional do PCP, e José Capucho, membro do Secretariado do Comité Central.

No último ano, duas grandes empresas estatais chinesas investiram cerca de 3000 milhões de euros em Portugal e a China Three Gorges é hoje o maior accionista da EDP.

Jerónimo de Sousa considerou também que “a diversificação das relações económicas com todos os povos e países é fundamental”. “Cometemos um erro de fundo ao ficarmos prisioneiros de quatro ou cinco países, para os quais exportamos”, disse.

Relações com homólogo chinês

Sobre as relações com o Partido Comunista Chinês (PCC), o líder comunista português salientou que ambos os partidos “respeitam a independência e autonomia de cada um” e “têm posições diferenciadas” acerca de algumas questões, nomeadamente quanto à União Europeia e à NATO.

O secretário-geral do PCP elogiou o “espantoso progresso” alcançado pela China, mas realçou que a sua concepção do socialismo tem “características diferentes”.

“Para o PCP, não há modelos de socialismo. Cada país, cada povo e cada partido percorrerá um caminho muito próprio, tendo em conta a história, a cultura, a relação de forças e o papel dos partidos, mas sem cópias”, disse Jerónimo de Sousa. “O socialismo por que lutamos em Portugal tem e terá características diferentes deste processo aqui na China”, acrescentou.

A delegação do PCP parte para o Laos na próxima segunda-feira e depois visitará também o Vietname, dois países do Sudeste asiático que fazem fronteira com a China.

Jerónimo de Sousa foi o segundo líder partidário português recebido em Pequim em menos de dois meses, depois da presidente do Partido Socialista, Maria de Belém, no início de Janeiro, e ambos viajaram a convite do Departamento Internacional do PCC.