Joseph Ratzinger prepara-se para viver "escondido do mundo"

Bento XVI reuniu-se com o clero de Roma para lhes pedir que trabalhem para "uma verdadeira renovação" da Igreja.

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O Papa Bento XVI disse nesta quinta-feira que vai passar o resto da sua vida em oração, “escondido do mundo”. Num encontro com mais de mil padres e religiosos de Roma, o Santo Padre disse que depois de renunciar, no dia 28 de Fevereiro, irá viver em reclusão.

“Mesmo que eu me retire em oração, vou continuar sempre perto de vós e estou seguro de que vós também ides continuar perto de mim, mesmo que eu permaneça escondido do mundo”, disse o Papa, citado pela Reuters.

No último dia do mês, Bento XVI voará de helicóptero para Castel Gandolfo, residência de Verão dos papas, onde ficará até que seja conhecido o nome do seu sucessor. Só depois do fumo branco, o cardeal Joseph Ratzinger dará entrada no convento Mater Ecclesiae, situado no Vaticano, bem junto à Basílica de São Pedro.

Nesta lenta despedida, pontuada por cerimónias e mensagens destinadas a marcar o fim do seu pontificado, Bento XVI apelou a “uma verdadeira renovação” da Igreja Católica, estimando que as grandes orientações dadas pelo Concílio Vaticano II não foram completamente “realizadas”.

Bento XVI, que falou durante 35 minutos sem notas, deixou uma missão para o futuro: “Devemos trabalhar para que o verdadeiro Concílio se realize e renove verdadeiramente a Igreja."

Na véspera, na sua última missa pública, o Papa deixou também vários alertas e avisos, contra "a hipocrisia religiosa", contra "o comportamento de quem quer aparecer" e contra "as atitudes que procuram aplausos e aprovação".

Bento XVI alertou também contra o que considera ser "os golpes contra a unidade da Igreja" e a "divisão do corpo eclesiástico", lamentando que "o rosto da Igreja seja, por vezes, desfigurado".