Guilherme Pinto deixa o PS para se recandidatar a Matosinhos

Militante do PS há 37 anos quer "manter a dinâmica de desenvolvimento" da autarquia.

Guilherme Pinto militou no PS durante 37 anos
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Guilherme Pinto é um dos três autarcas que formaram a Frente Atlântica Paulo Ricca/Arquivo

O presidente da Câmara de Matosinhos, Guilherme Pinto, enviou sexta-feira uma carta ao secretário-geral do PS a pedir a desfiliação do partido, considerando que este é um “passo decisivo” para uma eventual recandidatura ao cargo, desta vez como independente.

Guilherme Pinto, militante do PS há 37 anos, anunciou que deixou o partido porque considera ser “preciso conseguir manter a dinâmica de desenvolvimento em Matosinhos e evitar um desastre, que são as candidaturas dos partidos” no concelho.

“E só o posso fazer com toda a legitimidade deixando a condição de militante do partido porque não quero polémicas à volta dessa matéria como já aconteceu no passado”, justificou.

O autarca explicou que na sexta-feira deixou de ser militante do PS quando endereçou ao secretário-geral, António José Seguro, uma carta a pedir a “renúncia da condição de militante”.

A concelhia do PS/Matosinhos escolheu o seu líder e presidente da Junta de Freguesia de Matosinhos, António Parada, como candidato socialista à câmara nas próximas autárquicas – candidatura cuja apresentação oficial acontece este sábado à tarde – depois de Guilherme Pinto ter manifestado, em Novembro, numa entrevista à Lusa, disponibilidade para se recandidatar ao cargo mas recusando disputar eleições directas dentro do partido.

“Este é um passo decisivo para uma candidatura independente e é sobretudo uma tentativa de demonstrar que a arrogância e a incompetência podem tentar esconder-se atrás de um símbolo de um partido mas que as pessoas vão perceber quem são efectivamente os candidatos que estão neste momento apresentados pelos partidos”, disse à Lusa.

O presidente da Câmara de Matosinhos não se assume “ainda” como candidato independente mas garante que “estão reunidas as circunstâncias de audição do povo e as circunstâncias da escolha do partido”. “Agora faltará muito pouco para que eu assuma definitivamente essa candidatura”, avança.

Questionado sobre se sai triste do PS, Guilherme Pinto disse apenas que lamenta que “o secretário-geral não tenha tido cinco minutos para falar com o presidente de uma das autarquias mais importantes do PS”. O autarca recordou ainda que a última vez que falou com Seguro foi “há muitos meses”, numa comissão nacional antes de Guilherme Pinto se ter candidatado à liderança da federação do PS/Porto, corrida que perdeu para José Luís Carneiro, apoiante de Seguro. “Ele [Seguro] disse que eu seria sempre o candidato do PS”, recordou, rejeitando, no entanto, que o líder socialista tenha faltado à palavra uma vez que esta “não lhe coube”.

Guilherme Pinto disse ainda que mesmo que não avance com a candidatura “é muito difícil o PS ganhar as eleições em Matosinhos, porque outros se candidatariam com mais hipóteses”.

O autarca foi peremptório ao revelar a sua convicção pessoal: “há quatro anos defrontei alguém [Narciso Miranda] com quem trabalhei lealmente durante muitos anos e que se candidatou contra mim. Agora é, porventura, o tempo de me candidatar contra alguém que deveria ter trabalhado na minha equipa mas a única coisa que soube foi ser desleal”.

Para além da candidatura de António Parada, também o PSD já escolheu o nome de Pedro da Vinha Costa para entrar na corrida à autarquia matosinhense nas eleições deste ano.

Nas autárquicas de 2009, Guilherme Pinto recandidatou-se e venceu pelo PS, sem maioria absoluta, tendo derrotado Narciso Miranda, que concorreu como independente ao cargo que desempenhou durante quase três décadas.