Paulo Portas considera que visita a Angola teve “sentido construtivo” no relacionamento bilateral

Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros sublinhou a importância de cooperação com um país onde vivem mais de 100 mil portugueses e para o qual se registam exportações de mais de 2,6 mil milhões de euros.

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Portas defende a importância de projectos industriais para a cooperação económica Carlos Lopes / arquivo

Portas, que fazia o balanço de uma visita oficial de 48 horas a Angola, respondia à questão sobre se a sua deslocação visou alterar a situação de desconfiança do lado angolano, face às recentes notícias sobre a abertura de inquéritos judiciais em Portugal de personalidades angolanas da área do poder.

“As relações entre Portugal e Angola são relações entre dois Estados soberanos. Nós respeitamos a soberania dos outros, tal como gostamos que respeitem a nossa. E, nesse sentido, esse tipo de temas, quando são angolanos, deve tratar-se em Angola, quando são portugueses, deve tratar-se em Portugal”, disse.

Paulo Portas afirmou ainda que a sua função, enquanto chefe da diplomacia, é “defender a relação” bilateral, que passa “por uma boa relação dos órgãos de soberania de Angola, que nós não só respeitamos, como tratamos com amizade”.

“Isto é o que nos permite, também com muita clareza, esperar que as oito mil empresas portuguesas que trabalham para o mercado de Angola, os mais de 100 mil portugueses que estão a viver em Angola, os mais de 2,6 mil milhões de euros de exportações portuguesas para Angola, sejam também bem tratados”, frisou. Daí, concluiu, considerar que a sua presença em Angola “tem sempre um sentido construtivo”.

No âmbito da visita que efectuou à sede da Mota Engil em Luanda, construtora portuguesa envolvida em algumas das obras emblemáticas de Angola, designadamente a nova marginal da capital angolana, disse que, nesta deslocação, de uma forma que classificou como “muito pragmática”, ajudou a dar alguns passos para o desenvolvimento de projectos industriais.

“De cada vez que o fazem, estão a fortalecer a sua retaguarda em Portugal, e os postos de trabalho em Portugal. Estão a ganhar nos mercados externos, para compensar algumas dificuldades no mercado interno”, manifestou, considerando que esses projectos industriais vão ser um sinal “muito visível da importância da cooperação económica”.