Antologia italiana inclui Manuel Alegre ao lado de Dylan, Lennon e Cohen

Autor de O Canto e as Armas foi o português escolhido para integrar uma antologia italiana de estudos sobre poetas e cantores de resistência

Manuel Alegre considera a eventual concessão da RTP a privados inconstitucional
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Manuel Alegre considera a eventual concessão da RTP a privados inconstitucional Foto: Nuno Ferreira Santos

A editora italiana Diagosfera ETS acaba de lançar a antologia Canto Un Mondo Libero, organizada por Marco Fazzani, que inclui Manuel Alegre ao lado de um conjunto de poetas e songwriters de diversos países, dos americanos Woody Guthrie e Bob Dylan, ao canadiano Leonard Cohen ou ao chileno Vitor Jara, assassinado poucos dias após o golpe de Estado de Pinochet.

A obra, de 250 páginas, inclui traduções italianas de alguns poemas e canções – um dos seus propósitos é justamente questionar as fronteiras entre a poesia escrita para ser impressa e lida e a aquela que se destina a ser cantada –, mas é, antes de mais, uma recolha de ensaios de diversos autores sobre “poetas e cantautores que se bateram pelos ideiais da liberdade e da democracia contra regimes ditatoriais e os abusos do Estado”, esclarece a editora.

O ensaio relativo a Manuel Alegre, que é o único autor português incluído no livro, abarca o seu percurso biográfico e a sua actividade anti-fascista, mas é também um comentário à sua obra literária. Assina-o Sandra Bagno, titular da cátedra Manuel Alegre da Universidade de Pádua, criada em 2010 para o estudo da língua, literatura e cultura portuguesas.

Além do autor de Praça da Canção (1965) ou Senhora das Tempestades (1998), e dos poetas e escritores de canções já referidos, a antologia inclui, entre outros, o brasileiro Chico Buarque, os ingleses John Lennon e Linton Kwesi Johnson, de origem jamaicana, o sul-africano Mzwakhe Mbuli, conhecido como “o poeta do povo”, o prémio Nobel da Literatura Derek Walcott, de Santa Lúcia, ou o grego Alekos Panagulis, um activo opositor do regime dos coronéis, que tentou mesmo assassinar, em 1968, o ditador Georgios Papadopoulos.

A obra inclui ainda um CD com poemas e canções de alguns dos autores escolhidos, declamados ou cantados por intérpretes italianos.

Quer como poeta, quer como ficcionista, Manuel Alegre tem sido regularmente publicado em Itália, em traduções de Carlo Vittorio Cattaneo, de Giulia Lanciani e de outros lusistas italianos.