Rui Moreira deverá apresentar candidatura à Câmara do Porto em Fevereiro

O presidente da Associação Comercial do Porto deverá avançar com uma candidatura independente.

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Rui Moreira diz que as pessoas lhe pedem para avançar Ricardo Castelo/NFactos

Afirmando que sente o apoio das pessoas quando com elas se cruza e lhe prometem o voto – “Um movimento desta natureza não exclui ninguém, é, de facto, uma candidatura presidencialista”  –, Rui Moreira assume que a avançar será como candidato independente.

A este propósito, dá nota da falta de tradição para que uma candidatura independente se possa a afirmar. “Para ser verdadeiramente independente tem de ter condições de financiamento absolutamente transparentes, prévias a qualquer anúncio, e isso está a ser feito”, afirma.

Na entrevista assume que nunca foi filiado "em nenhum partido” e mostra-se contra “a lógica dos partidos” que está instalada no país. “É sempre a tentativa de os aparelhos, entre si, criarem contrapoderes e de tentarem comprometer as pessoas com essa lógica.”

Confrontado com a opção de ser independente excluir o apoio do CDS, que não se revê na candidatura de Luís Filipe Menezes, o ex-presidente da Sociedade de Reabilitação Urbana esclarece: “Nunca disse que não aceitava o apoio do CDS; o que disse foi que a minha candidatura é independente. Estarei disponível para falar com todas as forças, não será apenas o CDS, mas também o PSD e o PS.”

Rui Moreira partilha que a decisão de entrar na corrida tem de ser ponderada “em função de um conjunto de relações (...) com a sociedade e também com a [sua] vida”. “A primeira coisa, e a mais importante, foi perceber, em termos objectivos, o que me interessava. Comecei por pensar naquilo que gosto na cidade e também naquilo que não gosto e também no que gosto e não gosto relativamente às propostas que vão sendo conhecidas.”

Na avaliação do que hoje existe no Porto, o empresário deixa um elogio tácito à gestão de Rui Rio, de quem se foi aproximando nos últimos tempos. “A minha convicção é a de que temos uma excelente base de partida. Quando olhamos para as contas da cidade, verificamos que estão bem, a situação financeira é interessante”, diz.
 “Muito do trabalho que foi feito é muito positivo, nomeadamente a nível dos bairros sociais.”

Ao ser questionado se não se revê na candidatura de Luís Filipe Menezes, Rui Moreira distancia-se do seu modelo de gestão e afirma: “ (...) Independentemente do que foi o passado, nomeadamente em Gaia, a questão é que o país está diferente e chegou à situação em que está com políticas parecidas com aquelas que nos são propostas.” Teme “que possa descarrilar o que é um activo da cidade, esse caminho que tem sido feito".  "Neste momento ser uma cidade viável é muito importante, uma cidade de boas contas, contas à moda do Porto.”

Sobre os mandatos de Rio diz: “Revejo-me principalmente por ter deixado uma base muito interessante.” Afirma que, se vencer as eleições, tratará as questões do futebol de uma forma diferente. “Se for presidente da câmara e o FC do Porto quiser celebrar da varanda [do edifício dos Paços do Concelho], não tem problema nenhum.”

Também neste sábado, numa entrevista à Lusa, Rui Moreira disse que “gerir uma cidade não é criar uma ficção” e acusou os candidatos do PS e PSD de ofereceram “miragens aos cidadãos”: “Uma candidatura a uma cidade como o Porto não é um concurso de ideias; gerir uma cidade é criar uma realidade, não criar uma ficção.”