Armstrong está arrependido, mas não tem a certeza se merece a "pena de morte"

O ex-ciclista diz que em dois dias perdeu 75 milhões de dólares (56 milhões de euros) em patrocínios.

Armstrong diz não ter a certeza sobre se deveria ter sido afastado da competição definitivamente
Foto
Armstrong diz não ter a certeza sobre se deveria ter sido afastado da competição definitivamente George Burns/AFP

Lance Armstrong reconhece que merece ser castigado, mas não sabe se “a pena de morte” a que foi condenado ao não poder voltar a competir será o castigo mais apropriado. Na segunda parte da entrevista a Oprah Winfrey, o ex-ciclista emocionou-se quando contou como revelou à família o uso de substâncias dopantes durante a sua carreira e como foi obrigado a afastar-se da sua fundação.

“O que pensa que merece?”, perguntou Oprah Winfrey ao ex-ciclista na segunda parte da entrevista, divulgada esta sexta-feira, madrugada de sábado em Portugal. Armstrong, que confessou o uso de doping durante o seu percurso de atleta, respondeu: “Eu mereço ser castigado, mas não tenho a certeza se mereço a pena de morte”. Referia-se ao facto de ter sido excluído de competições de ciclismo, triatlo e corridas – os seus desportos de eleição – enquanto que alguns colegas seus, que se implicaram no caso de doping ao testemunharem contra si, ficaram impedidos de competir apenas durante seis meses.

“Egoistamente”, Armstrong gostava que a punição fosse retirada, mas “realisticamente, não penso que isso irá acontecer e tenho de viver com isto”, cita a BBC.

Segundo o canal britânico, o norte-americano não se serviu da confissão para regressar às competições. “Eu adoraria ter a oportunidade de voltar a competir, mas não é por isso que estou a fazer isto”, disse Armstrong referindo-se à entrevista com Oprah. “Se me pergunta se quero voltar à competição, a resposta é: ‘Claro que sim, eu sou competitivo’ É o que tenho feito durante toda a minha vida. Quero competir, quero treinar.” O atleta acrescentou que descarta a possibilidade de voltar a participar na Tour de France, mas salientou que, se houvesse oportunidade, gostaria de participar na Maratona de Chicago.

Na conversa com a apresentadora norte-americana, o ex-ciclista disse ainda que depois da USADA, a agência anti-doping dos Estados Unidos, ter comprovado o uso de substâncias dopantes, os anunciantes começaram a afastar-se dele. “A Nike ligou e disse que eles estavam fora. Depois os telefonemas começaram a chegar”, descreve Armstropng, citado pela BBC, revelando que em dois dias perdeu cerca de 75 milhões de dólares (56 milhões de euros) em patrocínios, valor que jamais deverá recuperar.

No final do ano passado, a investigação da USADA revelou que o atleta tinha levado a cabo “o mais sofisticado, profissional e bem-sucedido programa de doping da história do desporto”. Armstrong declarou agora na entrevista que vai passar a cooperar com as investigações sobre doping.

O ex-ciclista teve de se esforçar para conter as lágrimas ao expressar o impacto das suas acções na vida dos cinco filhos. “Quando isto começou, vi o meu filho a defender-me e a dizer: ‘Isso não é verdade. O que estão a dizer sobre o meu pai não é verdade’”, contou Armstrong visivelmente emocionado. “Foi quando soube que tinha de lhe contar. E disse: ‘Não me defendas mais’”. O ex-ciclista considera que, apesar de os filhos estarem constantemente a ouvir falar sobre o assunto, na escola sentem-se protegidos, sendo que o que mais os afecta são os comentários que lêem nas redes sociais.

Sentindo-se “envergonhado” pelo uso de substâncias dopantes, Armstrong salientou que um dos “momentos mais humilhantes” da sua vida foi quando se viu obrigado a deixar a posição de presidente da sua fundação, a Livestrong, criada para promover a luta contra o cancro, em Novembro de 2012.