Realizador espera conseguir maior visibilidade internacional Carlos Lopes/arquivo
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Realizador espera conseguir maior visibilidade internacional Carlos Lopes/arquivo

Pedro Sena Nunes convidado a apresentar "Hope" na London Art Fair

Até domingo, o realizador português terá o seu filme-instalação na feira de arte londrina

Pedro Sena Nunes realizou "Hope" em 2009 e desde então têm sido várias as participações em festivais nacionais e internacionais. Desta vez, e apesar de três anos terem passado desde então, o filme foi escolhido pela galeria londrina Hanmi Gallery para a 25 edição da London Art Fair, que arrancou esta quarta-feira e dura até domingo.

A London Art Fair, que celebra esta edição os 25 anos, é uma das feiras mais importantes no calendário das artes, onde estão presentes 131 galerias. Pedro Sena Nunes estará representado na Hanmi Gallery, galeria que representa novos artistas e que além de estar em Londres tem também representação na Coreia do Sul.

“Foi uma surpresa muito boa, não estava à espera”, diz ao PÚBLICO o realizador, explicando que o convite lhe foi feito pelas duas curadoras da galeria, que numa pesquisa de preparação para a feira encontraram o trabalho do português e propuseram que este expusesse "Hope".

"Hope", sobre o encontro animal entre o homem e a mulher e que foi premiado no Fantasporto na edição de 2011, será apresentado em Londres em forma de instalação. “O filme tem esta característica, foi feito de forma a poder ser visto tanto no cinema como em instalação”, explica o realizador, que apesar de não ser um nome das artes, admite que o campo da instalação não é uma novidade. “A multidisciplinaridade do objecto fílmico foi a raiz do próprio desafio a que me lancei quando comecei a pensar no Hope. A relação da imagem com o texto, da imagem com o som é algo que me interessa bastante”, continua.

Sobre a escolha deste filme em questão, quando por exemplo já durante 2012 promoveu pt.es, Sena Nunes acredita que tem a ver com a mensagem intemporal que Hope transmite. “Este filme não foi pensado para um tempo, não é centrado em nenhuma data, e por isso é que mantém bastante actual”, diz. Em 2009 o filme serviu como uma espécie de alerta para os tempos difíceis que se adivinhavam. “É um alerta de um lado animalesco do que está para vir e projecta uma aparente tranquilidade.”

"Hope" é um filme, dos poucos que fará, como explica, capaz de perdurar no tempo. “É um trabalho que tem lugar no futuro”, acrescenta, explicando que também o seu currículo foi depois avaliado pela galeria. “É nestas alturas que percebemos que todo o trabalho que temos vale a pena porque afinal alguém está atento, e quando esse alguém é alguém de fora é ainda mais surpreendente”. Defende que em Portugal o meio artístico é muito fechado. “Sinto que às vezes é mais do mesmo. Já vivi anos em que as coisas eram mais ricas do lado do diálogo.”

Além de o cinema ser a sua área, também se tem destacado na dança, com a Companhia Integrada Multidisciplinar, criada há cerca de cinco anos com o objectivo de integrar na sociedade, e na vida artística, pessoas com necessidades especiais. Actualmente está a preparar a apresentação do espectáculo O Nada em Lisboa, depois de o ter estreado em Guimarães no ano passado no âmbito da Capital Europeia da Cultura.

“Os projectos nunca param, estou sempre a fazer alguma coisa, é um frenesim criativo”, conta. Ambiciona ganhar maior visibilidade a nível internacional. “Aqui não há dinheiro, preciso de novas realidades.”