Estudantes fazem do microcrédito a luta contra a pobreza em Moçambique

O empreendedorismo é a receita deste projecto, criado por estudantes da Católica em 2009, para contornar a pobreza em Moçambique e São Tomé e Príncipe

A dona Atija vendia chamussas, mas os custos eram o dobro do que cobrava. A MOVE sugeriu-lhe que começasse a fazer pulseiras para os turistas e duas semanas depois pôde ajudar o irmão a manter-se na universidade e a abrir uma conta poupança para a filha.

O senhor Abudique, 61 anos, tinha 50 pintainhos, sendo que o lucro que obtinha mal dava para comprar mais uma fornada e alimentar a família. Com a ajuda da MOVE, já contratou um empregado que vende os pintainhos numa bicicleta.

A Muaija, única fonte de rendimento das 14 crianças que vivem em sua casa, foi destes três, na Ilha de Moçamabique o caso mais complicado: o empréstimo não resultou, o negócio correu mal e estagnou. Foi encontrada outra solução: a MOVE recomendou-a como cozinheira num hotel. Foi aceite. “Nesse momento, abraçou-me com força e disse: ‘Conseguimos!’”, recorda Afonso.

Afonso Coimbra tem 21 anos e há seis meses que este estudante escolheu Moçambique como destino: “A MOVE é, não me canso de dizer, uma escola. A escola mais importante da vida. O microcrédito é mesmo a arma mais forte de combate à pobreza.”

Garantir a sustentabilidade

A MOVE foi criada em 2009 por estudantes da Universidade Católica e ajuda futuros micro-empreendedores a escolher as melhores iniciativas e a garantir-lhes sustentabilidade. 

O processo para os empréstimos baseava-se até agora em três fases: a das candidaturas; a das entrevistas (o potencial de negócio, o impacto na família e na comunidade são os principais parâmetros tidos em conta); e, por último, a da visita de campo.

Dos 15 finalistas, só quatro terão direito a um empréstimo, após formação. Afonso revela que têm trabalhado em alternativas a este modelo e que uma delas já está em vigor: “Já não vamos abrir uma fase de candidaturas. Vamos à procura de senhoras pobres que tenham um negócio de revenda e que não conseguem sair do ciclo de pobreza.”

Este projecto sem fins lucrativos tenta fazer do empreendedorismo uma forma de combate à pobreza, com base em duas premissas: formação e microcrédito. Actualmente, a sua actividade é desenvolvida em Moçambique e São Tomé e Princípe. 

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