No papel, o mundo é "positivo" e os optimistas estão na América Latina

Portugal e Brasil empatados na lista da empresa de sondagens Gallup

O Panamá é o país com mais respostas positivas
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O Panamá é o país com mais respostas positivas AFP

É um relatório que pode deixar de boca aberta até os mais acérrimos defensores do pensamento positivo. Se descanso, respeito, riso e experiências interessantes são outras palavras para descrever a felicidade, então o mundo é mais cor-de-rosa do que parece, segundo um estudo da empresa de sondagens Gallup.

A principal ideia que fica do relatório – feito com base em entrevistas presenciais e por telefone a quase 150 mil pessoas em 148 países, entre 2009 e 2011 – é que os seres humanos “mais positivos”, segundo a definição da Gallup, moram em países da América Latina, alguns dos quais surgem no fundo da tabela quando é preciso analisar variáveis como o rendimento anual ou a qualidade dos serviços de saúde, como a Guatemala.

Mas o pensamento positivo parece ser mais comum: mesmo nos países com respostas mais negativas, apenas dois ficam abaixo dos 50% no índice de "Menos sensações positivas em todo o mundo".

O relatório baseou-se nas respostas a cinco perguntas:

– Sentiu-se repousado ontem?

– Foi tratado com respeito ontem?

– Sorriu muito ontem?

– Aprendeu ou fez algo de interessante ontem?

– Sentiu-se alegre e feliz ontem?

Na lista dos dez países com mais respostas positivas a estas perguntas, oito são da América Latina, com destaque para o Panamá e o Paraguai, com 85%. Seguem-se El Salvador e Venezuela (84%); Trindade e Tobago e Tailândia (83%); Guatemala e Filipinas (82%); e Equador e Costa Rica (81%).

"A média da percentagem de pessoas em todo o mundo que responderam 'sim' a estas cinco perguntas reflecte um mundo relativamente optimista", lê-se na análise aos resultados no site da Gallup – 85% disseram que se sentiram tratados com respeito; 72% disseram que sorriram muito; 73% sentiram-se alegres e felizes no dia anterior; e 72% não tiveram razões para se sentirem cansados. Segundo o relatório, só um dos indicadores teve resposta negativa: 43% das pessoas inquiridas nos 148 países disseram que não fizeram nem aprenderam nada de interessante no dia anterior.

Para a empresa Gallup, a conclusão é clara: "Apesar de muitos desafios globais, a população mundial está a sentir muitas emoções positivas." E salienta a discrepância da relação entre o que considera ser o "pensamento positivo" e os rendimentos financeiros: "Estes dados podem surpreender os analistas e os líderes que se focam apenas nos indicadores económicos tradicionais. Os residentes do Panamá – que está na posição 90 em relação ao Produto Interno Bruto per capita – estão entre os que mais relatam sensações positivas. Os residentes de Singapura – que está em 5º lugar em termos de Produto Interno Bruto per capita [na realidade, Singapura surge entre as posições 12 e 19 das listas da ONU, do FMI e do Banco Mundial] – são os que menos relataram emoções positivas."

E sim, Portugal também está na lista – entre os 148 países, fica mais ou menos a meio, na posição 62, com 72% dos inquiridos a responderem positivamente às perguntas da Gallup. Outro resultado que poderá ser surpreendente é que o Brasil, visto como um país mais alegre do Portugal, tem afinal a mesma percentagem de "pensamento positivo". Ambos ficam à frente de Itália (65%) ou da Grécia (63%), mas atrás de países como o Uzbequistão (74%) ou a Tanzânia (75%).

Para além de Singapura (46%) e da Arménia (49%), estão também no fundo da tabela o Iraque (50%), a Sérvia, o Iémen e a Geórgia (todos com 52%).

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