Morar em Bruxelas: a aposta “europeia” de André Coelho, um designer de 29 anos

O André mudou-se com a namorada para Bruxelas porque achou que no Porto era difícil começar uma vida a dois. Sente que foi a aposta certa e para já não pensa em regressar

Bruxelas é, talvez, uma das cidades mais conhecidas de todos os europeus. É a “capital” da União Europeia e a sede da NATO. Uma das cidades mais cosmopolitas do velho continente e onde é possível provar um pouco de todo o mundo, seja em cafés ou restaurantes. É também a cidade que dá nome a um dos produtos hortícolas mais famosos e conhecidos do planeta: Couve – de - Bruxelas.

Mas não foi pelas couves que o André se mudou. Para isso tinha ficado em Portugal onde estas são, provavelmente, melhores. Mudou-se em busca de oportunidades e condições que não conseguia ter no país que o viu crescer.

E quem é e o que faz André Coelho? Tem 29 anos, é natural do Porto e formou-se em Design de Produto pela Escola Superior de Artes e Design. Atualmente, e já em Bruxelas, desenvolve a sua atividade profissional nas áreas gráfica e web como freelancer — os interessados podem apreciar o seu trabalho aqui.

Mas como foi ele parar a Bruxelas? Decidiu, após alguns trabalhos no Porto, mudar-se com a sua namorada (Sara) motivado pela “crescente falta de oportunidades e ordenados desfasados do custo de vida, que tornam bastante difícil o início de vida para novos casais em Portugal”, esclarece. Por outro lado, o facto de a Sara já ter estado em Bruxelas uns anos antes (é Meeting Concierge no SOFITEL Brussels Le Louise), foram motivos mais que óbvios para a aposta na mudança. E pelo que posso constatar através das suas palavras foi e continua a ser uma decisão mais do que acertada.

Uma cidade multicultural

Independentemente de estar a residir em Bruxelas há um ano André sente que “ainda é tudo um pouco novo”, que apesar de esta “não ser enorme, ainda não me sinto completamente adaptado”, confessa. Mas isso não o impede de afirmar que é uma cidade “extremamente polar. As comunidades locais normalmente não se misturam muito geograficamente. Há um polo onde moram portugueses, outro onde moram árabes, etc. Mas de certa forma fascina-me essa faceta multicultural em Bruxelas”, revela.

No entanto, aquilo que mais o impressiona são os “edifícios lindíssimos”. E o expoente máximo desta componente arquitetónica é a Grand-Place, que descreve como “o local mais bonito da cidade e um ótimo sítio para se passar uma tarde. Uma vez por ano fazem lá um tapete de flores que cobre a praça praticamente toda. É lindíssimo”. Refere ainda locais como o Palácio Real ou o Palácio da Justiça (ainda que em fase de restauro). Menos do seu agrado acaba por ser o facto de, em alguns locais, “a cidade poder ser bastante suja”. Quem já a visitou compreende perfeitamente a observação do André.

Sendo uma cidade cosmopolita na verdadeira aceção da palavra isso acaba por se refletir no seu círculo de amigos: “incluem as mais diferentes nacionalidades, como a inglesa, escocesa, italiana, sueca, marroquina, australiana, brasileira e, obviamente, a belga. Acredito que isso se deve à elevada quantidade de imigrantes em Bruxelas. Facilmente se conhece pessoas das mais variadas culturas”, esclarece. Mas também, e segundo o André, porque as pessoas locais “são mais fechadas em si mesmas. Isto faz com que os estrangeiros acabem por interagir mais entre si”.

Apesar de ter sido criado numa família muito unida e sentir falta desta e, em particular, dos almoços de Domingo, André não acredita “regressar a Portugal num futuro próximo. Infelizmente as oportunidades de carreira são escassas e as pessoas começam a não ter dinheiro para gastar em serviços. A austeridade limita o espírito empreendedor e os jovens foram convidados pelo Governo a procurar oportunidades lá fora", refere.

A realidade é que “em Bruxelas há muito mais oportunidades de criar uma carreira como trabalhador independente. O regresso, para já, não está em cima da mesa”, salienta uma vez mais. Pode ser que não, mas algo me diz que, quando regressar, a sua cadeira estará à espera para os almoços de Domingo.