Valter Hugo Mãe entre os favoritos do prémio PT de Literatura

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Valter Hugo Mãe é um dos favoritos Adriano Miranda

 A cerimónia decorrerá pela primeira vez no Auditório Ibirapuera, edifício projectado pelo arquitecto Oscar Niemeyer, para assinalar os dez anos do prémio e terá apresentação do cantor e músico Arnaldo Antunes (ex- Titãs) e pela actriz brasileira Maria Fernanda Cândido.

Pela primeira vez na história do prémio, os concorrentes foram avaliados e votados separadamente em três categorias: poesia, romance e conto/crónica. Também nesta edição, o valor total do prémio aumentou - os vencedores de cada categoria recebem 50 mil reais (18.500 euros), o mesmo valor do Grande Prémio Portugal Telecom 2012. O júri está reunido desde esta manhã e a votação é feita por voto secreto.

Na categoria romance, além do português Valter Hugo Mãe que concorre com A Máquina de fazer Espanhóis ( e que segundo o PÚBLICO apurou em conversas com o júri é um dos favoritos) concorrem ao prémio o brasileiro Michel Laub, com Diário da queda (que irá ser publicado em Portugal pela Tinta da China no próximo ano e está também entre os fortes candidatos ao prémio); Bernardo Kucinski, com o seu primeiro romance K. e o brasileiro de ascendência argentina Julián Fuks, com Procura do romance.

Valter Hugo Mãe chegou domingo ao final da tarde a São Paulo, vindo de Luanda, em Angola, onde esteve pela primeira vez na idade adulta, a visitar a terra onde nasceu. Do aeroporto foi directamente para uma sessão de leitura de excertos de A máquina de fazer espanhóis e de uma conversa com leitores no Espaço Cult com Selma Caetano, a curadora do Prémio PT, e os críticos literários Manuel da Costa Pinto e Leyla Perrone-Moisés, que fazem parte do júri na edição deste ano.

Além de Escarpas, que reúne a produção literária de Gastão Cruz, são finalistas da categoria poesia Vesúvio, de Zulmira Ribeiro Tavares, Da arte das armadilhas, segundo livro de poesia da jovem poeta mineira Ana Martins Marques, e Junco, do artista plástico Nuno Ramos, vencedor do Prémio Portugal Telecom 2009, com "Ó" (publicado em Portugal pela Cotovia).

E por fim, na categoria de conto e de crónica, foram seleccionados os brasileiros Dalton Trevisan, Prémio Camões 2012, com O anão e a ninfeta; Sérgio Sant’Anna, com O livro de Praga; João Anzanello Carrascoza, com Amores mínimos e Evando Nascimento, com Cantos do mundo.

Este prémio foi criado pela Portugal Telecom (que hoje se assume como "uma multinacional da língua portuguesa") em 2003, para divulgar e premiar a literatura brasileira, e em 2007, passou a chamar-se Prémio Portugal Telecom de Literatura em Língua Portuguesa e a contemplar todos os livros escritos originalmente em língua portuguesa publicados no Brasil.

"É uma aposta da PT a longuíssimo prazo, que não pretende ter um retorno imediato mas tem acabado por ter, pois nestes dez anos de existência receberam cerca de três mil candidaturas", disse hoje aos jornalistas portugueses o vice-presidente da PT Brasil, Abílio Martins. "Foi um prémio criado de raiz, desenhado por nós com a ajuda de parceiros e orgulhamo-nos da força que tem. É o décimo ano de uma aposta consistente, na qualidade do júri e das obras, que fez com que se conseguisse o prestígio que o prémio hoje tem", acrescentou o administrador da PT. lembrando que 32 obras de 12 editoras receberam o Prémio Portugal Telecom: 18 romances, oito livros de contos e seis livros de poesia.

Este prémio literário tem ajudado os escritores que escrevem em português a ser mais conhecidos tanto em Portugal quanto no Brasil. Autores como Bernardo de Carvalho, Milton Hatoum, Cristovão Tezza, Chico Buarque, Gonçalo M. Tavares e Rubens Figueiredo já o receberam.

O PÚBLICO viajou a convite da Portugal Telecom