Há “conversações” para apurar “se é possível ter mais áreas disponíveis para a incubadora” Antofagasta/ Flickr
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Há “conversações” para apurar “se é possível ter mais áreas disponíveis para a incubadora” Antofagasta/ Flickr

Jovens agricultores já estão em lista de espera em Idanha-a-Nova

Os 512 hectares de terrenos da incubadora de base rural já estão todos atribuídos. “Se tivéssemos quatro mil hectares havia propostas para todos”, diz responsável

A Câmara Municipal de Idanha-a-Nova está a fazer um levantamento de terrenos disponíveis no concelho para satisfazer o aumento da procura por parte de jovens agricultores, disse sábado à agência Lusa o vice-presidente Armindo Jacinto. A incubadora de base rural nasceu com 512 hectares de terrenos que não eram usados pelo Estado no Couto da Várzea, mas já estão todos atribuídos.

“Se tivéssemos quatro mil hectares havia propostas para todos”, disse Armindo Jacinto, seis meses depois de a ministra da Agricultura ter formalizado a assinatura dos primeiros 20 contratos com jovens agricultores. Não só todos os terrenos que existem “estão ocupados”, como “já há projectos em lista de espera”, acrescentou.

Neste momento, a autarquia está a fazer “um levantamento das propriedades disponíveis por parte de particulares para arrendar ou ceder, de modo a servir de banco de terras para todos os interessados” que batem à porta da Câmara. Por outro lado, o Estado “continua a ter um conjunto de terras” e há “conversações” para apurar “se é possível ter mais áreas disponíveis para a incubadora”, adiantou o autarca.

Do mirtilo ao "figo da Índia"

Quanto aos projectos que arrancaram no Couto da Várzea, estão em diferentes fases de implementação, a maioria em “preparação das terras” para colher frutos no próximo ano. O mirtilo é uma das culturas predominantes, mas há jovens agricultores a apostar no melhoramento genético de produtos agrícolas e até noutros frutos mais exóticos, como “o figo da Índia”. Trata-se de um produto que, além do fruto, permite “o aproveitamento da planta, por exemplo, para a indústria farmacêutica. A romã e dióspiro são outras frutas em expansão graças à procura pelo mercado.

Armindo Jacinto aplaudiu a diversidade e considerou que “o importante é que a campina de Idanha não fique dependente de uma só cultura”. Um cenário que considera “fundamental para dar a volta ao mundo rural e criar actividade agroindustrial”. A calibração e preparação para entrega ao mercado dos produtos passa pela central hortofrutícola do Ladoeiro, participada pelo município, e Joaquim Soares, que dirige a estrutura, assegurou que a experiência “está a ser muito positiva”.

Os produtos de jovens agricultores começam a chegar à central e espera-se que o próximo ano seja de um incremento substancial nos produtos. “Assim cria-se valor e emprego” com base no sector primário, destacou. Os responsáveis acreditam que a aposta na disponibilização de terras vai permitir que em 2013 a paisagem na campina de Idanha seja diferente, mais colorida e cheia de novos agricultores.