Despesa com medicamentos cardiovasculares está a subir e representa um milhão por dia

Em 2011, as comparticipações destes fármacos representaram 30% do total
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Em 2011, as comparticipações destes fármacos representaram 30% do total Foto: Nuno Ferreira Santos

O Serviço Nacional de Saúde (SNS) gastou, no ano passado, mais de um milhão de euros por dia em comparticipação de medicamentos cardiovasculares, revela um estudo da Autoridade Nacional do Medicamento (Infarmed), que confirma um “aumento significativo” do uso destes fármacos.

“Em Portugal, o grupo dos medicamentos cardiovasculares é que o apresenta um maior nível de consumo e, em 2011, constituiu 30% dos encargos totais do SNS com medicamentos em meio ambulatório”, refere um artigo publicado na última edição do Infarmed Notícias, jornal oficial do organismo, que será divulgado nesta quinta-feira.

O Observatório do Medicamento do Infarmed estudou o consumo de medicamentos cardiovasculares entre 2000 e 2011, concluindo que houve “um aumento significativo da utilização” destes fármacos, o que reflecte a elevada prevalência das doenças cardiovasculares em Portugal.

No mesmo período, aumentou também o encargo do SNS com estes fármacos, uma vez que o Estado os comparticipa. Só em 2011, o SNS gastou 395 milhões de euros com os medicamentos cardiovasculares em meio ambulatório, refere a análise publicada no jornal oficial do Infarmed.

A grande maioria (76%) das prescrições destes remédios tem origem nos cuidados primários de saúde, enquanto as prescrições com origem nos hospitais e nos cuidados privados têm uma expressão mais reduzida, representando, respectivamente, 8 e 14%.

Numa análise geográfica, Évora e Portalegre surgem como os distritos com maior consumo por habitante. Além destes, estão, acima da média nacional, os distritos de Beja, Bragança, Castelo Branco, Coimbra, Guarda, Leiria, Santarém, Viana do Castelo, Vila Real e Viseu. Na média nacional ou até abaixo, encontram-se Aveiro, Braga, Faro, Lisboa, Porto e Setúbal.

O estudo fez também comparações internacionais, nomeadamente com o Reino Unido e Itália, concluindo que, em Portugal, é mais elevada a utilização de um tipo de medicamentos cardiovasculares, com custo de tratamento superior. Portugal, pelo contrário, teve um padrão de utilização inferior, no que respeita a outros fármacos cardiovasculares que têm menor custo de tratamento por dia.