Comércio

Restaurantes esperam adesão elevada ao Dia sem Cartões

Vendas da restauração estão a cair desde 2008
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Vendas da restauração estão a cair desde 2008 Carlos Manuel Martins/Arquivo

O Movimento Nacional de Empresários da Restauração espera uma “adesão elevada” ao Dia sem Cartões, marcado para terça-feira, em protesto contra as comissões cobradas pelo uso de cartões de débito e de crédito.

Por cada operação de pagamento electrónico os empresários pagam uma taxa negociada com os bancos e empresas que fornecem o serviço. José Pereira, coordenador do movimento, afirma que a intenção é fazer com que a Unicre “perceba que o que se paga de comissões é um exagero”.

Na terça-feira os restaurantes que aderirem à iniciativa não vão aceitar pagamentos com cartão e deverão afixar cartazes em que explicam aos clientes o motivo do protesto.

“Somos o segundo país da Europa que mais comissões paga... A Unicre, por ano, só na restauração, cobra entre 85 a 90 milhões de euros. Só de IVA e comissões de TPA [terminais de pagamento automático] pagamos 25% da facturação do restaurante. Por estas e outras situações escandalosas é que não temos futuro. O sector da restauração está unido nesta luta”, lê-se nos panfletos que serão colocados nos restaurantes aderentes.

Num esclarecimento que enviou ao PÚBLICO, a Unicre explica que os 85 a 90 milhões de euros avançados pelo movimento não correspondem ao valor correcto, referindo que "as receitas obtidas junto dos comerciantes em 2011 totalizaram cerca de 167 milhões de euros, representando a restauração pouco mais de 7% deste montante, ou seja, cerca de 11,7 milhões de euros".

“Se numa mesa estiverem quatro clientes, o primeiro paga o IVA e as comissões. O segundo, os custos com as matérias-primas – que representam entre 20 a 30% do total – o terceiro as despesas com o pessoal e o quarto tudo o resto”, descreve José Pereira, criticando o “peso excessivo” na factura das comissões dos cartões bancários.

As vendas da restauração estão a cair de 2008 e com o aumento do IVA de 13% para 23%, ocorrido em Janeiro, o sector tem vindo a perder empresas.

Para mostrar descontentamento ao Governo, o movimento também agendou uma concentração na Assembleia da República para o primeiro dia de discussão o Orçamento do Estado para 2013, que será entregue a 15 de Outubro. “Apelamos ao encerramento dos restaurantes nesse dia”, revela José Pereira.

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