Arménio Carlos: Governo anunciou austeridade com “pinceladas de cócegas” no capital

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Arménio Carlos pede para Cavaco Silva não aprove o próximo Orçamento do Estado Nuno Ferreira Santos

Numa conferência de imprensa convocada para reagir às medidas anunciadas por Vítor Gaspar, Arménio Carlos considerou que “o grande objectivo foi o anúncio de mais austeridade para os trabalhadores, reformados, pensionistas e desempregados e depois com umas pinceladas de cócegas ao capital”.

“No capital, sempre que se fala na necessidade de ser taxado ficamos só a conhecer as generalidades, sem qualquer pormenorização. Quanto aos rendimentos dos trabalhadores tudo é pormenorizado à exaustão no sentido de ficar claro que este Governo continua numa obsessão de atacar os trabalhadores e outras camadas da população portuguesa que são os mais desfavorecidos”, afirmou.

Arménio Carlos sublinhou ainda que as declarações de hoje de Vítor Gaspar, sobre haver mais recessão do próximo ano, desmentem as declarações do primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, de há poucas semanas quando falou de 2013 como ano de inversão da economia.

Este Governo continua obcecado por desenvolver uma política neoliberal que não só não resolve nenhum problema do país, como está a agravá-los em todas as áreas da economia e também a nível social”, acrescentou Arménio Carlos, sublinhando que na quarta-feira será anunciada a data, ainda neste mês, para uma “grande jornada nacional de luta”, que pode ter a forma de greve geral ou outro tipo de manifestação.

“Todas as formas de luta estão presentes, mas com certeza que vai haver grande participação”, disse.

Sobre se poderá ser convocada juntamente com a UGT, Arménio Carlos disse que “todos são bem-vindos” e sublinhou a intenção de “unir esforços com todos aqueles que estiverem interessados em intervir e acabar com a política de direita”.

Na ocasião, o líder da CGTP apelou ainda ao Presidente da República, Cavaco Silva, para que seja “coerente” e “não aprove o próximo Orçamento do Estado”.

“A coerência é muito importante na vida política. Ainda recentemente o senhor Presidente da República assumiu que devia haver equidade no que respeita aos sacrifícios e as provas estão aí: por mais que o senhor ministro das Finanças se esforce, não consegue provar que há equidades”, sustentou.

Perante isto, concluiu, “o que o senhor Presidente da República deve fazer é não aprovar este Orçamento do Estado se, porventura, se confirmar a apresentação destas medidas em Outubro”.

O ministro das Finanças anunciou hoje, durante a apresentação das conclusões da troika à quinta avaliação do programa de ajustamento, o adiamento por um ano do prazo para cumprimento do défice, para 2,5% em 2014.

No encontro em que anunciou oficialmente que Portugal tinha ‘passado no exame’, Vitor Gaspar reiterou que a redução no vencimento anual da função pública é temporária e que vai aumentar para 26,5% a taxa que incide sobre os dividendos financeiros, o que inclui os depósitos a prazo.

Gaspar anunciou um novo conjunto de medidas de austeridade, com destaque para a redução das reformas acima de 1500 euros, a redução dos escalões do IRS, implicando um acréscimo do pagamento médio dos cidadãos, e ainda o aumento de tributação dos imóveis considerados de luxo (acima de um milhão de euros).

O ministro das Finanças disse ainda que será acelerada a redução do número de funcionários públicos no próximo ano, nomeadamente dos contratados a prazo, além de estar previsto um alargamento do programa de privatizações das empresas públicas.

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