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Brasil é cada vez mais um destino atractivo para futebolistas de renome

O holandês Clarence Seedorf saúda os adeptos do Botafogo no dia em que foi apresentado como reforço do clube carioca para esta época
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O holandês Clarence Seedorf saúda os adeptos do Botafogo no dia em que foi apresentado como reforço do clube carioca para esta época Foto: Ricardo Moraes/Reuters

Na canção “País Tropical”, composta por Jorge Ben, o Brasil é retratado como um “país tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza”. Aos vastos encantos naturais, junta-se agora a pujança económica na atracção de futebolistas para o campeonato brasileiro. E, cada vez mais, o recrutamento é feito fora das fronteiras do Brasil: o número de estrangeiros a actuar no Brasileirão cresceu 31% no início da temporada 2012, em comparação com o final de 2011, segundo um estudo da consultora Pluri. A tendência será para este número continuar a aumentar.

Clarence Seedorf, internacional holandês que brilhou ao serviço de Real Madrid e Milan, reforçou o Botafogo. E o uruguaio Diego Forlán, eleito melhor jogador do Mundial 2010 e que passou por Manchester United, Atlético de Madrid e Inter de Milão, assinou pelo Internacional de Porto Alegre. O francês Florent Malouda, de saída do Chelsea, é cobiçado pelo Santos e poderá ser o próximo a rumar ao Brasil.

“O facto de o Mundial 2014 ser no Brasil ajuda os clubes a obterem melhores condições financeiras. Conseguem mais patrocinadores, o que facilita este tipo de negociação”, notou Almir Leite, jornalista de O Estado de S. Paulo, em conversa com o PÚBLICO. “Ainda temos clubes muito endividados, mas o futebol brasileiro está a viver um momento financeiro melhor e consegue pagar salários melhores”, acrescentou, notando o aumento das receitas das transmissões televisivas.

“Eu joguei com o Romário, que na altura tinha um salário muito grande para o país. Mas acontece muitas vezes grandes empresas apoiarem os clubes”, sublinhou ao PÚBLICO o ex-futebolista Paulo Madeira, que em 2003 teve uma experiência de alguns meses no Fluminense. “Cada vez mais isso se passa, porque as empresas têm interesses económicos em relação ao Mundial e aos Jogos Olímpicos”, acrescentou o ex-internacional português.

Tradicionalmente um país exportador de talentos, o Brasil está a tornar-se um destino apetecível para futebolistas de créditos firmados e ao mesmo tempo, tem-se assistido ao regresso das “estrelas” do futebol brasileiro: foi o caso de jogadores como Ronaldinho Gaúcho, Liedson, Deco ou Juninho Pernambucano.

“São jogadores que já não têm condições para competir na Europa. Voltando para cá, conseguem uma sobrevida. Estão no ocaso da carreira e acabam por voltar, com um bom salário”, indicou Almir Leite.

“Não é só o regresso dos craques. Os bons jogadores não querem sair de lá. Os clubes têm alguma capacidade financeira. Fala-se muito no Neymar, mas ele não quer sair do Brasil. Os milhões que lhe oferecem não são suficientes para o convencer”, vincou Paulo Madeira.

A porta está aberta aos futebolistas que actuam na Europa, admitiu Seedorf na apresentação como reforço do Botafogo: “O Brasil está a crescer economicamente. A escolha do jogador tem que ser bem feita, até porque o Brasil, com tantos talentos, não se vai tornar uma Europa e trazer cinco ou dez jogadores internacionais por ano”, disse o ex-internacional holandês.

“O Brasil é economicamente mais forte que seus vizinhos e o real é uma moeda valorizada”, nota o estudo da Pluri, acrescentando que, “mesmo pagando mais, é vantajoso para os clubes brasileiros contratar estrangeiros, pois ainda assim estes são mais baratos do que os jogadores brasileiros”: “A crise económica diminuiu a procura europeia por jogadores latinos em geral, abrindo espaço para o Brasil ser visto como uma alternativa de mercado mais interessante para os jogadores dos países vizinhos.”

Uma análise da auditora BDO RCS indica que o Brasil se tornou em 2011 no sexto maior mercado mundial do futebol, ultrapassando a Holanda, com receitas a rondar os 2,5 mil milhões de reais (mil milhões de euros). “A nossa projecção é que em 2014 o futebol brasileiro tome o lugar do francês, com um mercado acima dos três mil milhões de reais (1,2 mil milhões de euros)”, previu o director de estudos de desporto da BDO RCS, Amir Somoggi.

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