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Shelter: é possível dormir numa escultura itinerante

Um hall de entrada, um quarto e uma pequena casa de banho incorporados numa escultura itinerante com a dimensão de um camião de contentores

Pode-se ver, contemplar e andar à volta de uma escultura, mas nem sempre é possível entrar nela. Insatisfeita com esse preceito, Gabriela Gomes desenhou o Shelter ByGG, com o objectivo de criar uma peça onde se pudesse dormir. "Neste projecto, além de podermos entrar e ver a forma por dentro, criando um espaço diferente, podemos mesmo usá-la, dormir lá dentro", explica a criadora.

 

Com uma visão que procura fundir a escultura e o design, os mais recentes trabalhos desta artista plástica já têm questionado "onde acaba a escultura e começa o design, pensando a obra de arte enquanto obra improvável e objecto usável". Por isso, cria objectos escultóricos pela sua forma e estética, mas que ultrapassam a dimensão basilar da escultura. Deste modo, Gabriela Gomes transforma-os em objectos usados no quotidiano.

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O passo da comercialização será dado no final do ano DR

 

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O Shelter ByGG tem a mesma dimensão de um camião de contentores DR

Seguindo este conceito, nasceu o Shelter ByGG, um “abrigo” simultaneamente “artístico e funcional” para quem quer passar uma noite diferente. O Shelter tem um quarto duplo, com um colchão e almofadas de massagem, um pequeno hall de entrada e uma “mini” casa de banho com água quente e duche.

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A peça vai estar em exposição na Plataforma das Artes e da Criatividade, em Guimarães DR

 

Uma questão de sustentabilidade

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O passo da comercialização será dado no final do ano DR

A concepção desta peça passa, também, pela questão de sustentabilidade. A escultura foi construída com materiais recicláveis e, de acordo com a artista, é um objecto autónomo em termos energéticos, com painéis solares e tecnologia LED de baixo consumo. "Cada vez mais se impõe a questão ambiental e cada vez mais devemos ter esta preocupação", destaca.

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O Shelter ByGG tem a mesma dimensão de um camião de contentores DR

 

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A peça vai estar em exposição na Plataforma das Artes e da Criatividade, em Guimarães DR

Com a mesma dimensão de um camião de contentores, esta "escultura habitável" é móvel. "O Shelter funciona como um sistema semelhante ao das autocaravanas", compara Gabriela Gomes, referindo que pode ser transportado para qualquer lugar num camião TIR ou num contentor.

 

Para já, a peça vai ser apresentada na Guimarães 2012 - Capital Europeia da Cultura, na Plataforma das Artes e da Criatividade, onde era o antigo Mercado Municipal de Guimarães.

 

Mas como o objectivo não é só ver, mas também experienciar a criação, Gabriela Gomes convida os visitantes a dormir na escultura. O preço por noite é de 100 euros para duas pessoas, com direito a compotas, chás e sabonetes Ach Brito. "São alguns requintes", afirma a escultora. A reserva poderá ser feita por telefone ou via e-mail.

 

Preços entre 60 e 70 mil euros

A escultura itinerante semelhante a um "casulo", com uma arquitectura desafiadora, demorou cerca de um ano e meio a ser concluída e Gabriela Gomes confessa que a ideia do Shelter foi mais simples do que a sua concretização. "A partir do momento em que tenho alguém dentro da escultura, existem questões de arquitectura, de isolamento acústicos, isolamento térmico... Ou seja, um conjunto de questões que têm de ser respondidas e que exigem um grande trabalho", refere. Para a construção do Shelter, a artista plástica contou com vinte parceiros.

 

A ideia é espalhar pelo mundo estas "esculturas móveis" onde se pode dormir, por isso, "serão contactadas várias entidades, tanto a nível nacional, como internacional, que queiram investir ou explorar, de alguma forma, um objecto destes".

 

Gabriela Gomes não pode adiantar ainda um valor definitivo, mas fala num preço de mercado fixado entre os 60 mil e os 70 mil euros. "Tendo, também, em consideração o facto de ser uma peça auto-sustentável", salienta. E caso seja necessário, a peça poderá ser alterada, aumentando, por exemplo, a sua área.

 

O passo para a comercialização vai ser dado no final de Dezembro, altura em que a peça deixa de estar exposta na Plataforma das Artes e da Criatividade. Até lá, qualquer pessoa pode espreitar o Shelter, mas com uma excepção: não há visitas enquando a "escultura habitável" tiver hóspedes.

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