Relatório

FMI: sem estímulos, Europa corre o risco de “estagnação prolongada”

Instituição liderada por Christine Lagarde pede à Europa que vá mais além
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Lagarde diz que o FMI "forçará a Grécia a adoptar mais medidas de ajustamento económico" Paul J. Richards/AFP

No dia em que os líderes mundiais iniciam uma nova cimeira do G20 no México, que tem na agenda o crescimento a nível global, o Fundo Monetário Internacional (FMI) divulgou um relatório onde diz que a Europa tem de fazer mais para combater a recessão e o desemprego recorde.

O estudo Fostering Growth in Europe Now (“Fomentar Agora o Crescimento na Europa”) é assinado por uma equipa do departamento europeu do FMI e vem trazer mais achas à fogueira do debate entre austeridade e crescimento, que tem oposto a Alemanha a outras economias, como a França e os EUA.

Os autores começam por pôr a tónica nas reformas estruturais, que consideram ser fundamentais para aumentar o potencial de crescimento das economias e, por isso, devem ser implementadas “sem atrasos”.

A análise do fundo estima que o impacto dessas reformas possa aumentar o Produto Interno Bruto (PIB) da zona euro em 4,5% nos próximos cinco anos. Cerca de metade desses ganhos viria das reformas do mercado dos produtos e dos serviços, o que, dizem os autores, mostra a importância de combater os interesses instalados em sectores protegidos.

No entanto, as reformas estruturais, por si só, “podem não dar um impulso suficiente à actividade a curto prazo”, devido ao contexto de recessão e desemprego elevado. O FMI diz mesmo que há “uma ameaça significativa de que, num ambiente de fraca procura agregada, medidas do lado da oferta fracassem em aumentar o PIB, deixando parte da Europa um período de estagnação prolongada”.

“As reformas estruturais devem ser implementadas agora como âncora das perspectivas de crescimento de médio prazo, mas têm de ser complementadas para dinamizar o crescimento no curto prazo”, diz Rodrigo Valdés, um dos directores do departamento europeu, que liderou a equipa responsável pelo estudo.

Segundo os autores, isto significa que as autoridades têm de complementar as reformas estruturais com medidas para promover a procura agregada. “Não se trata de uma recomendação de simples estímulo orçamental”, avisa o FMI, dizendo que “a consolidação orçamental é inevitável”.

Contudo, é necessário um reequilíbrio na procura que permita à economia europeia crescer a curto prazo – mais procura externa nos países periféricos, do Sul europeu, e mais procura interna nos países do Norte. O resultado prático deste reequilíbrio seria mais inflação no Norte do que no Sul, a par de uma redução dos salários nos países periféricos e um aumento salarial nas economias saudáveis.

Notícia corrigida às 22h08: substitui a palavra "recessão" por "estagnação"