Lisboa

Ex-ocupantes de São Lázaro entregam caixas com dejectos de pombos na câmara

Os ocupantes da casa na rua de S. Lázaro foram despejados a 31 de Maio
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Os ocupantes da casa na rua de S. Lázaro foram despejados a 31 de Maio Daniel Rocha

Dez antigos ocupantes do edifício devoluto da Rua de São Lázaro entregaram esta manhã no gabinete da vereadora da Habitação da Câmara de Lisboa quatro caixas cheias com quilos de dejectos de pombos que estavam no espaço.

Dejectos de pombos, pombos mortos, entulho e lixo que os jovens recolheram enquanto ocuparam o segundo andar do prédio devoluto de São Lázaro encheram quatro caixas, forradas a papel laranja e verde e entregues esta manhã pelos antigos ocupantes, vestidos de blazers, fraques e coletes.

Na ausência da vereadora Helena Roseta, o porteiro do edifício da Caixa Geral de Depósitos na Rua do Ouro, recebeu as caixas, sem qualquer incidente.

Os dez jovens não quiseram prestar declarações à comunicação social, limitando-se a ler um comunicado que afixaram nas caixas e na parede junto à entrada da Caixa Geral de Depósitos na Rua do Ouro.

Segundo a nota, durante mais de um mês de ocupação, os jovens "limparam do imóvel vários quilogramas de dejectos de pombo, que se haviam acumulado no edifício ao longo dos anos em que este se encontrou devoluto, por incúria da proprietária, a Câmara de Lisboa".

Depois de a autarquia ter "reclamado a propriedade", os ocupantes consideram que deve agora "ter direito ao recheio do imóvel".

"Não querendo ser novamente acusados de roubar e abusar do bem público, vimos hoje devolver à legítima proprietária, representada na pessoa da vereadora Helena Roseta, os dejectos de pombo, sua pertença", afirmam.

Defendendo o uso da matéria para compostagem, os jovens esperam agora que Helena Roseta "lhes dê um uso, no mínimo, tão nobre" como o que tinha sido destinado.

No mesmo comunicado, os jovens desejam as "maiores felicidades" aos novos habitantes de São Lázaro.

"Famílias carenciadas que a vereadora advoga como tendo prioridade para habitar o imóvel. Neste caso, famílias carenciadas de pombos que já tiveram oportunidade de ocupar o edifício, fruto do emparedamento do mesmo com as janelas escancaradas, e de iniciar uma nova fornada de matéria para compostagem", terminam.

Além desta acção, e segundo o blogue do colectivo auto-intitulado 'Casa São Lázaro 94', outro grupo de antigos ocupantes do prédio afixaram por outros edifícios devolutos de Lisboa uma 'notificação' para que a autarquia em dez dias úteis "reabilite ou dê alguma utilidade pública ao edifício ou o mesmo passará a estar disponível para quem dele necessite", para habitação ou actividades sociais e culturais.

A Polícia Municipal retirou na manhã de 31 de Maio os dois ocupantes que estavam na altura no segundo andar do número 94 da Rua de São Lázaro, depois de a autarquia ter respondido a uma providência cautelar que os jovens tinham interposto para travar o despejo.

A desocupação motivou manifestações e acções de solidariedade e levou a que alguns dos ocupantes tenham invadido a sede do gabinete da vereadora, que, ainda assim, se mostrou disponível para reunir com o grupo.

Na altura, os jovens não quiseram falar com Helena Roseta.

O espaço de São Lázaro foi ocupado em Abril, em solidariedade com o movimento Es.Col.A, despejado pela Câmara do Porto da desactivada escola da Fontinha.