Assembleia da República

O que fazem os cinco deputados mais novos do Parlamento

Combate ao desemprego é a prioridade dos deputados mais jovens.
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Combate ao desemprego é a prioridade dos deputados mais jovens. Foto: Rui Gaudêncio

O PÚBLICO olhou para as bancadas da Assembleia da República e traçou o perfil dos cinco deputados mais novos de cada partido. Todos com menos de 35 anos. Na XII legislatura, Cristóvão Simão Ribeiro, Rui Pedro Duarte, Michael Seufert, Rita Rato e Pedro Filipe Soares elegem o combate ao desemprego jovem como uma das políticas prioritárias para a juventude.

Dos 230 deputados à Assembleia da República, o deputado do PSD Cristóvão Simão Ribeiro é o mais novo. Tem 26 anos, é solteiro e estuda Direito. Cristóvão Simão Ribeiro está inserido no grupo de trabalho “Álcool e Toxicodependência” e tem apresentado iniciativas legislativas que defendem o acesso ao subsídio de desemprego por dirigentes associativos ou a regulação do empréstimo de manuais escolares.

O deputado elege o “combate ao desemprego jovem” como a grande prioridade da política para a juventude. “A aposta nos incentivos à contratação de jovens após estágio, a maior flexibilidade laboral, a formação profissional e a maior exigência no ensino, podem ser ferramentas dessa política de combate ao desemprego jovem”, explica.

A adopção de medidas para o combate da obesidade infanto-juvenil ou a recomendação ao Governo para que reveja o apoio ao arrendamento jovem e promova a "reabilitação urbana low cost" são outras das propostas do deputado do PSD. Durante estes onze meses de Governo, Cristóvão Simão Ribeiro apresentou também um voto de saudação à Selecção Nacional de Surf e, tal como os deputados mais novos de todas as bancadas, tem participado em vários debates em escolas do país, no âmbito do Parlamento dos Jovens.

Da parte do PS, o deputado mais novo da bancada é Rui Pedro Duarte. O socialista tem 27 anos e estreia-se nesta legislatura. Licenciado em Ciência Política e Relações Internacionais, é solteiro e apresenta-se como politólogo. Na carteira já tem um projecto de lei que estabelece restrições à publicidade dirigida a menores de determinados produtos alimentares ou o alargamento dos beneficiários da Procriação Medicamente Assistida.

O deputado socialista considera “os dois pilares” de uma política para a juventude “o direito ao emprego e qualificações, e o acesso à habitação”, pelo que o Governo deve priorizar “estágios profissionais”, “reforço da acção social escolar” ou” verbas para o arrendamento jovem”.

“Valorizar a escola pública como promoção da igualdade de oportunidades em todos os ciclos de ensino” é outra das medidas apontadas por Rui Pedro Duarte.

Rita Rato e Michael Seufert têm ambos 29 anos, são parlamentares desde 2009, mas estão em bancadas opostas ideologicamente.

Rita Rato, que vive em união de facto, é licenciada em Ciência Política e Relações Internacionais e é funcionária do PCP há seis anos. A deputada comunista integra os grupos de trabalho sobre ensino básico e secundário e educação especial. Já apresentou projectos de lei tão díspares como a redução do número de aluno por turma e a revisão do regime laboral das amas, ou a isenção temporária de propinas aos estudantes universitários e o reforço da protecção às vítimas de violência.

Rita Rato elege como políticas prioritárias “o combate ao desemprego e a criação de emprego com direitos”, a par do “reforço da protecção social em situação de desemprego e o aumento do salário mínimo nacional”.

Já Michael Seufert, deputado do CDS e líder da Juventude Popular, é solteiro e estuda Engenharia Electrotécnica e de Computadores. O centrista faz parte da comissão parlamentar de educação, ciência e cultura e traz na agenda preocupações com o pagamento das ex-SCUT para turistas ou a derrapagem com as parcerias público-privadas.

“É fundamental para os jovens encontrarem emprego, terem onde habitar e terem espaço para o seu projecto de vida. Julgaria importante um contrato de emprego mais flexível para os jovens”, diz o deputado do CDS. Michael Seufert defende também a liberalização das rendas e sublinha que o mais importante é que “o Estado deixe de se endividar à custa das gerações futuras que, por causa do endividamento passado, o vêem cada vez mais negro”.

Nesta legislatura recomendou ao Governo que regule o empréstimo de manuais escolares ou o consumo de produtos de origem portuguesa. O seu voto de saudação foi para a Selecção Portuguesa de Futebol Sub-20 e já interveio em plenário sobre o abandono do ensino superior por falta de meios económicos ou o IVA à taxa reduzida para actividades desportivas.

O mais jovem deputado do BE é Pedro Filipe Soares. Chegou ao Parlamento em 2009, tem 33 anos, é solteiro e licenciado em Matemática Aplicada à Tecnologia. O deputado bloquista considera que, num “contexto de espiral recessiva que está a minar a economia e o emprego, é impossível não referir a necessidade imperiosa de medidas de crescimento económico, que são as únicas capazes de responder à brutal taxa de desemprego entre os jovens”. E acrescenta que “empregar é a solução, emigrar não o é”.

Pedro Filipe Soares faz parte das comissões parlamentares de Negócios Estrangeiros e Comunidades Portuguesas e de Orçamento, Finanças e Administração Pública. Já apresentou projectos de lei para um novo regime de atribuição de bolsas de estudo a estudantes do ensino superior, para o acesso ao subsídio de desemprego de quem tenha salários em atraso ou para uma actualização extraordinária do valor das bolsas de investigação científica. Mas também recomendou ao Governo a realização de um referendo à privatização da empresa Águas de Portugal.